Inflação camufla a marcha do setor de serviços

Em 12 meses, até fevereiro, a receita nominal do setor de serviços cresceu 10,3%, acima dos 9,2% de janeiro e dos 8,3% verificados em 2013, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, divulgada na semana passada. O crescimento real é muito pequeno. Com a taxa de crescimento dessazonalizada, o aumento real cai para menos de 1% pelo critério de média móvel de três meses, segundo a consultoria LCA. Os serviços são non-tradables, ou seja, não comercializáveis - e os preços têm subido mais rapidamente do que o IPCA, ou seja, a inflação oficial. Em 12 meses, a inflação de serviços foi de 8,1% e o IPCA, de 6,15%.

O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2014 | 02h04

A pesquisa do IBGE mostrou que em alguns subsetores - como os serviços de informação e comunicação, serviços técnico-profissionais e outros - houve declínio de faturamento, em termos reais, na comparação entre os últimos 12 meses e os 12 meses anteriores.

Na comparação entre fevereiro de 2013 e fevereiro de 2014, os maiores aumentos foram registrados nos transportes aquaviário e aéreo, nos serviços audiovisuais, de edição e de agências de notícias, e nos serviços prestados às famílias.

Como notou um técnico do IBGE, Roberto Saldanha: "As famílias estão gastando mais em relação ao ano passado. Tem influência das férias, mas também o crescimento da massa salarial. As pessoas estão viajando mais". Mas Saldanha admitiu o efeito da inflação: "Claro que tem um efeito no preço, por enquanto não posso tirar isso. Mas nenhum índice de inflação chega perto desta taxa". O raciocínio se aplica aos serviços prestados às famílias, mas não ao conjunto dos serviços.

Por regiões, o faturamento do setor de serviços cresceu mais no Distrito Federal, em Mato Grosso e em Goiás (acima de 20%, nos três), e cresceu abaixo de 5% nominais nos Estados de Alagoas, Sergipe e Tocantins.

No Brasil, como na maioria absoluta das economias em fase de desenvolvimento ou já desenvolvidas, o setor de serviços tem participação dominante no PIB - da ordem de 70%, no País. É, ainda, o maior empregador de mão de obra, ainda que os postos mais bem remunerados e para os quais, em média, se exige maior qualificação estejam no setor secundário.

Os números da Pesquisa de Serviços não indicam uma economia em recuperação. Sugerem crescimento baixo, em ritmo semelhante ao do quarto trimestre do ano passado.

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