Inflação causa queda na confiança do consumidor, diz CNI

Índice que mede expectativa de inflação piora e acumula queda de 17,3% no 2º trimestre do ano

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

25 de julho de 2008 | 11h44

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) do segundo trimestre de 2008 recuou 1,6% na comparação com a pesquisa realizada no final do primeiro trimestre de 2008. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), responsável pela medição do índice, o indicador atingiu 109,8 pontos ante 111,5 pontos no primeiro trimestre. A queda se deve ao maior pessimismo com a inflação. O índice sobre expectativas da inflação recuou 10,9% na comparação com março de 2008 e acumula um recuo de 17,3% na comparação com o segundo trimestre de 2007, o que denota maior pessimismo com a evolução da inflação.   Veja também: Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  De olho na inflação, preço por preço   No primeiro trimestre, o indicador relacionado às expectativas com a inflação atingiu 118,4 pontos, caindo para 105,5 pontos no segundo trimestre. Das 2 mil pessoas ouvidas pelo Ibope entre os dias 20 e 23 de junho, 20% disseram esperar que a inflação "aumente muito" nos próximos seis meses. Outros 48% esperam que os preços subam, enquanto 13% esperam uma queda da inflação e 19% acham que as taxas de inflação não vão mudar no segundo semestre.   Para a CNI, esta avaliação decorre do aumento da inflação nos últimos meses, não mais restrita somente aos segmentos de alimentos, como no início do ano. Os consumidores também revelaram maior apreensão quanto ao desemprego e à evolução de sua renda real, esta última associada ao aumento da inflação. O INEC tem periodicidade trimestral e o índice é calculado pela média ponderada de cada resposta.   Endividados   O INEC mostra também que os consumidores estão mais endividados. O índice recuou 2,3% na comparação com o primeiro trimestre de 2008 e 1,7% na comparação com o mesmo período de 2007. A CNI explica que quanto menor o índice, maior o grau de endividamento. No primeiro trimestre, o indicador foi de 104,8 pontos e caiu para 102,4 pontos no segundo trimestre.   Dos 2 mil entrevistados, 5% esperam estar muito mais endividados nos próximos seis meses; 21% esperam aumentar suas dívidas e 37% esperam continuar no mesmo nível de endividamento dos últimos três meses. Outros 21% esperam estar menos endividados nos próximos seis meses e 4% acham que estarão muito menos endividados.   Apesar disso e do medo da inflação, a pesquisa mostra pouca disposição do consumidor em reduzir as suas compras. Metade dos entrevistados afirmou que deve manter o seu nível de compras de bens de maior valor, como móveis e eletrodomésticos, nos próximos seis meses. Outros 30% esperam aumentar as compras enquanto 20% pretendem diminuir os gastos.   Para a CNI, a expectativa de redução da renda, por conta da inflação, e o aumento do endividamento, poderão levar a uma maior inadimplência no futuro, "o que, certamente, impactaria a evolução do consumo".

Tudo o que sabemos sobre:
InflaçãoConfiança do Consumidor

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.