Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Inflação começa o ano pressionada por alimentos, serviços e transportes

Prévia do IPCA subiu 0,92% em janeiro, uma desaceleração em relação a dezembro ( 1,18%), mas a maior variação para o mês desde 2003

O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2016 | 09h17

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,92% em janeiro, uma desaceleração em relação a dezembro (1,18%), mas a maior variação para o mês desde 2003. Com o resultado, o índice acumula alta de 10,74% em 12 meses até janeiro de 2016. O dado divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou dentro do intervalo de estimativas dos analistas do mercado financeiro.

Para o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, o resultado mostra que a desaceleração dos preços será mais lenta que o esperado pelo Banco Central. "A inflação em 12 meses não deve retroceder no primeiro trimestre como se imaginava", acrescentou.

Por outro lado, essa constatação não deve mudar o posicionamento da autoridade monetária, que manteve os juros básicos inalterados em 14,25% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorrida esta semana. "Depois da consideração sobre a atividade e a projeção do FMI (Fundo Monetário Internacional), acredito que o BC não deve mais subir juro. Até porque ele não vai reverter isso (última decisão), seria muito estranho", disse o economista da Gradual.

Mesmo desacelerando em relação ao mês anterior, o mais elevado resultado entre os grupos ficou com Alimentação e Bebidas (1,67%). Vários produtos alimentícios continuaram com aumento de preços, segundo o IBGE, e alguns deles mostraram alta significativa: cenoura (23,94%), tomate (20,19%), cebola (15,07%), feijão carioca (8,95%), açúcar refinado (7,81%) e cristal (6,67%) e batata-inglesa (7,32%).

A seguir vem Despesas Pessoais (1,00%), o segundo grupo mais elevado no mês, com destaque para: excursão (7,07%), manicure, (2,17%), cigarro (1,51%), cabeleireiro (1,14%) e empregado doméstico (0,77%). O avanço no preço do cigarro, de acordo com o IBGE, reflete parte do reajuste médio de 12%, concedido em 31 de dezembro.

O grupo Transportes, assim como alimentação, também desacelerou (de 1,76% para 0,87%), mas os combustíveis (1,26%) continuaram a pressionar. Eles deram a principal contribuição individual no índice do mês (0,07 p.p.). O litro da gasolina ficou 1,25% mais caro, enquanto o litro do etanol subiu 1,56%.

Houve pressão, ainda, do transporte público (1,12%), devido aos reajustes que se concentraram no mês de janeiro em algumas regiões nas tarifas dos ônibus urbanos, cuja variação ficou em 1,92%, dos intermunicipais, que foi de 2,65%, e do táxi, com alta de 1,47%.

Protagonista da inflação em 2015, a energia elétrica voltou a aparecer entre os destaques no IPCA-15 de janeiro. Neste mês, as contas ficaram 0,81% mais caras. Além da energia, a taxa de água e esgoto subiu 0,71% no IPCA-15 de janeiro. Já o aluguel residencial avançou 0,55%. Com esses resultados, o grupo Habitação teve aumento de 0,57% no período.

Juros. Na terça-feira pela manhã, o presidente do BC, Alexandre Tombini, emitiu nota dizendo que as mudanças nas previsões do FMI para a economia brasileira foram "significativas". O fundo havia revisado de 1% para 3,5% a previsão de queda do PIB em 2016 e de avanço de 2,3% para zero o crescimento da economia brasileira em 2017. Tombini afirmou ainda que "todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom" seriam consideradas na decisão do colegiado.

Após a comunicação repentina, o mercado, que esperava majoritariamente uma alta de 0,50 ponto porcentual, passou a apostar, em grande parte, numa alta de 0,25 ponto porcentual. O Copom acabou decidindo pela manutenção da taxa.

"O BC está esperando se materializar o ajuste por outras vias", analisou Perfeito. Segundo ele, uma delas seria o mercado de trabalho, cuja deterioração deve derrubar a inflação de serviços, principalmente. Outro ponto é que o momento internacional é de política monetária expansionista, o que não deixa muito espaço para a atuação do Banco Central brasileiro via juros.

Perfeito espera que o IPCA feche em 6,60% em 2016. "Trabalho com uma hipótese de desaceleração muito grande. O desemprego vai aumentar", justificou o economista. A expectativa da Gradual é que o PIB encolha 2,98% este ano. 

(Com informações de Idiana Tomazelli, de O Estado de S. Paulo)

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