Inflação corre o risco de não convergir para o centro da meta

Análise: Thiago Curado

É ANALISTA DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h08

Os últimos dados de inflação, particularmente o IGP-M de julho, alteraram o balanço de riscos do cenário de inflação, apontando para maior pressão no segundo semestre. De fato, a relativa estabilidade verificada nos preços das commodities, em resposta a uma demanda global fraca, constituiu um dos principais condicionantes da desinflação observada desde o final de 2011.

No entanto, a quebra de safra de grãos nos EUA elevou as cotações do milho e da soja a patamares recordes, ampliando de forma crítica as pressões vindas das commodities.

A mudança de cenário já se fez sentir de forma clara nos preços de atacado. A taxa de variação acumulada em 12 meses pelo IGP-M saltou de 3,23% em março para 6,67% em julho, acompanhando os preços agrícolas, que subiram de -0,45% para +11,69%.

Além de já terem influenciado o IGP-M de julho (1,34%), a pressão de grãos deve manter o indicador em nível elevado pelo menos até agosto. Com isso, mesmo supondo alguma redução dos IGPs entre setembro e dezembro, o resultado do ano já está comprometido.

Respondendo a esse cenário, as projeções do mercado para o IGP-M de 2012, coletadas pelo Banco Central, passaram de 5,7% em meados de junho para 6,6% na última semana, e devem continuar a subir após o resultado de julho. A projeção da Tendências foi revisada de 5,9% para 7%.

O repasse ao consumidor da elevação de preços no atacado deve ser decisivo para impedir a convergência da inflação ao centro da meta em 2012. Nesse sentido, a alta dos preços agrícolas deve manter a pressão sobre os preços de alimentos pelo menos até setembro. Soma-se a essa questão a expectativa de novas pressões de demanda sobre a inflação doméstica, em função de uma retomada da atividade econômica no segundo semestre.

Assim, o processo de desinflação do IPCA entre setembro de 2011 e junho de 2012 parece ter se encerrado, e a inflação ao final do ano deve ficar em torno de 5% ao ano. Por fim, vale mencionar que a aceleração do IGP-M traz maiores riscos também para o IPCA em 2013, ao fazer com que os reajustes de tarifas administradas sejam mais fortes.

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