Werther Santana/Estadão
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Inflação da banana é duas vezes maior que a inflação oficial

Segundo a Fipe, que mede a inflação da classe média em São Paulo, preço da banana subiu 13,55% em 12 meses, enquanto o IPCA, medido pelo IBGE, subiu 6,15% no mesmo período

Felipe Resk,

30 de abril de 2014 | 10h32

SÃO PAULO - A banana não está em alta apenas nas redes sociais. Até março, o preço da fruta subiu 13,55% em São Paulo em 12 meses, segundo a Fipe/USP.

O aumento acumulado equivale ao dobro da inflação oficial, medida pelo IBGE (IPCA), que acumulou alta de 6,15% no mesmo período.

Desde domingo, a banana invadiu as redes sociais e virou símbolo do debate contra o racismo. Tudo começou quando jogador brasileiro Daniel Alves, jogando pelo Barcelona, comeu uma banana atirada por um torcedor do Villarreal durante uma partida do Campeonato Espanhol.

Nas feiras livres, os vendedores de banana dizem que a polêmica não influenciou os preços. Mas, segundo eles, no Brasil a banana tem menos risco de ser atirada em campo. Desde o início do ano, o preço já aumentou 7,52%, de acordo com a Fipe.

O motivo apontado pelos bananeiros para a alta acima da média é apenas o desequilíbrio entre oferta e a demanda. Ou seja: há menos oferta, por queda na produção devido a condições climáticas.

Polêmina na banca. Roberto Fornino é vendedor de banana há 32 anos e viu pela TV o debate sobre o episódio envolvendo o jogador Daniel Alves. "Soube que jogaram uma banana ele comeu, e só", comenta ele, que achou exagerada a repercussão do caso.

"Esse negócio de geração saúde aumentou o consumo, mas ninguém quer mais pegar na enxada para plantar", reclama o feirante. "O pessoal só quer é saber de ficar gastando tempo na internet."

Toda terça-feira, o vendedor arma sua barraca na Rua Ministro Godói, onde é realizada a Feira de Perdizes, na zona oeste de São Paulo. Cada cacho é vendido a uma média que varia entre R$ 2 e R$ 5.

Ao longo do balcão, as bananas são organizadas por tipo e tamanho: prata, nanica, ouro, maçã e da terra. Essa última, a mais cara, sai por até R$ 12 a dúzia. "É por causa do frete, pois vem lá da Bahia", justifica.

Sobre a atitude do baiano Daniel Alves, que joga há 11 anos na Espanha, o feirante comenta: "O cara nem preto é, tem a pele clara, os olhos são claros também, só o cabelo é crespo".

Na Feira da Vila Santa Maria, na zona norte da cidade, o bananeiro Leandro da Silva, de 20 anos, aprovou a atitude do jogador. "O que ele fez foi bacana, racista tem que ser tratado assim".

Torcedor do São Paulo, Silva se diz admirador de Daniel Alves. "Joga muito!"

Se a empolgação com o futebol é evidente, com as vendas o otimismo é bem menor. "O movimento está fraco há uns seis meses, acho que o pessoal está em casa, economizando para a Copa".

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