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Inflação de 0,6% na Argentina causa desconfiança

O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) - organismo sob uma controvertida intervenção do governo do presidente Néstor Kirchner desde o início do ano - anunciou hoje o índice de inflação de agosto. Segundo o Indec, a inflação oficial foi de 0,6%. A inflação acumulada desde janeiro ficou em 5%, o equivalente a 1,1% a menos do que no mesmo período do ano passado. Com este desempenho supostamente melhor que o de 2006, o governo poderia cumprir nos próximos meses a meta de 2007, ficando com uma inflação inferior a 9,8%, a marca "oficial" do ano passado. Mas, o índice oficial provocou um olhar generalizado de desconfiança e foi rejeitado por economistas independentes e empresários, que sustentam que o governo realiza há meses uma "descarada" manipulação dos dados de inflação. Os economistas sustentam que a inflação "real", sem a "maquiagem" realizada pelo governo Kirchner, foi de pelo menos 1,2%. Os cálculos dos economistas é que a inflação acumulada desde o início do ano foi de mais de 12%. A perspectiva é que a inflação "real" deste ano ultrapasse facilmente a faixa de 20%.Mais críticasSegundo o jornal britânico "Financial Times", o governo Kirchner possui "credibilidade zero", mais ainda no caso dos donos de bônus argentinos, que são indexados pela inflação. O periódico londrino indica que seja lá qual for o índice que o governo anuncie, "estará errado". Analistas em Buenos Aires afirmam que a manipulação do índice de inflação permite ao governo uma grande economia no pagamento da dívida pública com os credores privados. Com um crescimento acumulado de inflação de 5% desde o início do ano, Kirchner poupou US$ 2,4 bilhões. Isso indica que, a cada ponto que o governo Kirchner consegue "reduzir" a inflação, deixa de pagar aos donos dos títulos da dívida US$ 460 milhões.

ARIEL PALACIOS, Agencia Estado

06 de setembro de 2007 | 17h43

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