coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Inflação de 2002 deve ficar no teto da meta

O Banco Central reviu para 5,5% a projeção de inflação para o final desde ano. Esse valor já representa o teto máximo da meta de inflação fixada para este ano. A nova projeção foi divulgada pelo Banco Central no Relatório de Inflação. A estimativa leva em conta uma taxa de juros constante em 18,50% ao ano e uma taxa de câmbio vigente na véspera da última reunião do Copom. No relatório anterior, o BC esperava uma inflação de 4,4% ao final deste ano. Para o final de 2003, o BC espera agora uma inflação de 2,6%. A projeção anterior era de 2,8%. Esse valor está bem abaixo da nova meta de inflação para 2003, fixada ontem o pelo governo, de 4%, com uma banda de variação de 2,5 pontos porcentuais para cima e para baixo. De acordo com o Relatório, prevê-se uma queda forte da inflação entre o terceiro e quarto trimestres deste ano em função da substituição de um inflação "anormalmente" elevada no último trimestre de 2001 por um valor mais compatível com as metas para a inflação no último trimestre de 2002.IPCA e FMIAs novas projeções para o segundo e terceiro trimestres deste ano indicam que o teto das metas trimestrais de inflação, acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) serão superados nesses dois períodos. Pelo Relatório de Inflação, divulgado hoje pelo BC, a inflação medida pelo IPCA em 12 meses fechará o segundo trimestre deste ano em 7,7%. Esse valor está acima do teto máximo da meta acertada com o FMI para período, que é de 7,3%. Para o final do terceiro trimestre, o BC projeta uma inflação acumulada em 12 meses de 7,1% e o teto da meta com o FMI acertada para o período é de 6,2%. A superação do teto exigirá que o governo dê explicações ao board do FMI. O diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse, porém, que a superação das metas "não traz risco para a relação com o FMI" e nem vai impedir saques. "Quando revisamos a projeção oficial para cima as conversas com fundo já tinham sido feitas", disse o diretor. Preços administradosO BC afirma que a maior pressão inflacionária decorre dos preços administrados. Esse tipo de preços é aquele administrado por contrato ou monitorado pelo governo. De acordo com o BC, os preços administrados deverão sofrer um aumento de 8,1% em 2002. Esses preços vão responder, segundo o BC, por 2,5 pontos porcentuais da inflação medida pelo IPCA nesse ano. A projeção anterior, do Relatório de Inflação divulgado em março, era de um aumento de 6,8% dos preços administrados. No novo Relatório, do aumento de 8,1% dos preços administrados em 2002, 3,6% já ocorreram até maio e a maior concentração de reajustes deve ocorrer entre junho e julho, com incidência de aumento das tarifas de energia elétrica e de serviços de telefonia fixa, além do elevação de 9,2% na refinaria do preço do gás de bujão, que passou a vigorar em 1º de junho. Preços livresJá para os preços livres da economia, que não tem nenhum tipo de controle e monitoramento, o BC subiu de 3,4% para 4,3% a previsão de aumento este ano. Esses preços terão uma contribuição de 3 pontos porcentuais para a inflação. Os preços livres correspondem a cerca de 70% do IPCA. "Como os preços livres já aumentaram 2% em 2002, a inflação mensal média desses preços até o final do ano deverá ser inferior aos valores observados até maio", destaca o Relatório de Inflação.O BC espera, no curto prazo, um aumento nos preços livres com a interrupção da queda sazonal dos preços dos alimentos "in natura". No segundo semestre do ano, segundo o BC, a inflação dos preços livres deve retornar à trajetória de queda em função do "ausência de pressões inflacionárias advindas do excesso de demanda agregada, à estabilidade do crédito e ao recente aumento das taxas de juros de seis meses". Crescimento da economiaO Banco Central (BC) reduziu de 2,5% para 2% a projeção central de crescimento da economia brasileira esse ano estimada no Relatório de Inflação. "Essa redução deve-se principalmente ao efeito contracionista que o aumento na percepção de risco, que se traduziu num aumento da taxa de juros de mais longo prazo, exerce sobre o nível de atividade", afirma o Relatório de Inflação, que acaba de ser divulgado pelo BC.

Agencia Estado,

28 de junho de 2002 | 09h23

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.