Inflação de 5,1% em 2005 é meta inviável, crê economista

O aumento de preços da gasolina e do óleo diesel deverá se refletir na inflação de 2005. É o que prevê o economista-chefe do Pátria Banco de Negócios, Luís Fernando Lopes. Ele foi o entrevistado de ontem do programa Conta Corrente, da "Globo News". Considerando o impacto do aumento dos derivados, o economista acha inviável a meta de inflação de 5,1% para o ano que vem. "O aumento da gasolina, pela metodologia de cálculo do IPC, vai se estender ao longo das próximas quatro semanas", afirmou. Quanto ao óleo diesel, Lopes disse que o insumo gera uma pressão de custos na base da economia, por afetar os fretes, e que, em algum momento, causará impacto no transporte coletivo. "Está-se encomendando uma inflação para o começo do ano que vem", previu.Lopes avalia que para atingir a meta de inflação de 5,1% em 2005, seria necessária uma taxa de juros da ordem de 20% ao ano. "Eu, particularmente, acho pouco razoável acreditar que o BC vá subir tanto os juros", salientou. Em sua opinião, a alternativa seria o dólar cair um pouco mais. "Mas, nas condições atuais, 5,1% é uma meta extremamente ambiciosa, porque implica aperto de política monetária muito além do que o mercado está projetando."Sobre a possibilidade de excluir do cálculo do superávit primário os gastos com infra-estrutura, o economista-chefe do Pátria, Banco de Negócios foi pragmático: "É pouco provável que o acordo (com o FMI) seja renovado no final do ano", frisou. Então, na realidade o Tesouro Nacional pode contabilizar o que ele quiser, do jeito que ele quiser, porque a chancela do FMI não vai ser mais necessária." Lopes salientou que preferiria que o espaço para investimentos em infra-estrutura, saúde, educação e habitação viesse com o corte de gastos primários do governo. "O que, aliás, já está sendo feito em algumas administrações municipais e estaduais com muito sucesso."

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