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Inflação de água e esgoto mais que dobra em SP

De acordo com a Fipe, a conta ficou mais cara devido ao aumento da temperatura, que fez o consumo subir; índice apura preços na capital paulista

Maria Regina Silva, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 13h37

A conta de água do paulistano está mais salgada este mês, mas não porque houve reajuste nas tarifas, mas sim porque o consumo aumentou, como mostram dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que apura a inflação na capital paulista. De acordo com a Fipe, a inflação do item água e esgoto acelerou de 0,55% para 1,33%, da segunda para a terceira leituras do mês no âmbito do IPC, que, por sua vez, passou de 0,47% para 0,57%.

Segundo o gerente técnico de Pesquisas do IPC da Fipe, Moacir Mokem Yabiku, o aumento no consumo pode estar ligado ao aumento da temperatura nos últimos dias. Conforme o economista, os sinais são de que consumidores que estavam obtendo bônus por economizar água deixaram de receber o desconto, enquanto outros passaram a ser multados por estarem exagerando no consumo. "Provavelmente está relacionado com o calor. Muitos estão recebendo multas, mesmo não tendo ocorrido aumento oficial. Fica essa gangorra entre quem recebe bônus e quem está sendo multado", avaliou.

A Fipe ainda constatou encarecimento em outros produtos, por causa da temperatura mais elevada. A busca maior por ventiladores nos últimos dias também fez a variação do item acelerar de 2,60% para 4,07% na terceira quadrissemana do mês (últimos 30 dias terminados na quarta, 23). A demanda por refrigerante também parece ter aumentado, segundo o técnico da Fipe, já que a variação passou de deflação de 0,29% para inflação de 0,35%. No caso de suco, a variação teve salto expressivo, de 0,21% para 1,11%. 

Dólar. Além do calor estimular a compra de ventiladores, Yabiku ponderou que o dólar mais caro pode estar pressionando esses preços. Um outro exemplo, disse, foi a alta mais significativa em liquidificador, de 3,58% (ante 0,43%) no IPC da terceira quadrissemana de setembro.

O técnico da Fipe, contudo, é cauteloso em afirmar se a inflação na capital paulista já estaria captando com ênfase os impactos da depreciação cambial. "Pelo menos por enquanto, não temos percebido", afirmou, completando que o pão francês, que tende a sentir mais rapidamente os impactos das desvalorização do câmbio por ter como matéria-prima o trigo, que é cotado em dólar, ainda está em deflação (0,02%).

Segundo Yabiku, apenas o segmento de massas, farinhas e féculas chamou a atenção neste sentido, ao sair de queda de 0,09% para alta de 0,82% na terceira leitura do mês, com destaque para o macarrão (de -1,16% para alta de 1,04%).

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