Inflação de alimentos para países mais pobres deve piorar

FAO aponta que a conta de cereais para os mais pobres poderá aumentar em 56% neste ano

Jamil Chade, de O Estado de São Paulo,

11 de abril de 2008 | 14h58

Se os líderes mundiais estão preocupados com o impacto da inflação sobre a estabilidade mundial, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) alerta que a situação pode piorar ainda mais nos próximos meses. Dados divulgados nesta sexta-feira, 11, pela FAO apontam que apenas a conta de cereais para os países mais pobres poderá aumentar em 56% neste ano, em comparação ao ano anterior. Entre 2006 e 2007, o total pago pelos países em desenvolvimento pelos cereais já havia aumentado 37%.   Veja também: Debate sobre biocombustível deve ser feito com fatos, diz Lula Lula não dá palpite sobre juros, mas quer combater inflação ONU pede medidas urgentes contra inflação de alimentos Produção maior é saída contra inflação, diz Lula Especial sobre a crise de alimentos  Celso Ming explica a alta da inflação  Entenda os principais índices de inflação     No geral, a alta nos preços dos alimentos já está deixando 37 países em crise. O aumento é conseqüência de uma alta nos preços dos cereais, ampliada pela inflação nos preços do petróleo. Só na África, o valor das importações subiu em 74% na compra de cereais.   Segundo a FAO, a maior demanda pelo produto está gerando uma queda acentuada nos estoques de cereais, mesmo nos países exportadores.   Vários produtores ainda colocaram taxas de exportação para tentar reduzir os preços internos. Mas acabaram gerando uma alta ainda maior nos mercados internacionais.   Em março, os preços do arroz e do trigo eram duas vezes maior que seus níveis de 2007. O milho teve um aumento total de 30% em relação ao ano passado, depois de já ter sofrido uma alta de 100% desde 2005. Como resultado, pão, leite e outros alimentos básicos tiveram seus preços aumentados de forma substancial.   Crise não tem solução definida ainda   Até agora, a ONU já identificou crises e protestos em países como o Egito, Camarões, Costa do Marfim, Senegal, Burkina Faso, Etiópia, Indonésia, Madagascar, Filipinas, Haiti, Paquistão e Tailândia. Em alguns desses países, os governos tiveram de convocar o exército para lidar com os protestos contra o aumento nos preços dos alimentos.   Segundo Henri Josserand, representante da FAO, os alimentos representam entre 10% e 20% dos gastos de consumo de uma pessoa em uma país rico. Com a alta recente nos preços, famílias nos países mais pobres gastam até 80% de seus salários já para se alimentar.   O que preocupa a FAO é que não há sinais de melhorias significativas. A produção de cereais no mundo em 2008 deve aumentar em apenas 2,6%. O resultado deve ser o menor nível de estoque desse setor nos últimos 25 anos, com apenas 405 milhões de toneladas. Essa taxa é 5% menor aos estoques de 2007.

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