Inflação de junho deverá manter-se estável, diz FGV

Beneficiada pela desaceleração dos preços dos alimentos, que já começam a devolver as altas provocadas pela estiagem, e pela apreciação cambial, a inflação de junho deverá manter-se estável. Com isso, o Índice Geral de Preços -10 (IGP-10) deverá mostrar taxa próxima à de 0,13% registrada pelo indicador em maio. A previsão é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Agencia Estado

15 de maio de 2014 | 19h52

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), subgrupo do IGP-10 que congrega os preços de alimentos in natura e industrializados comercializados no atacado, fechou o mês com queda de 0,22%. Em abril, havia subido 1,42%. "O que acontece é que o choque da estiagem pegou os IGPs em cheio em março e agora já começa a devolver parte das altas", disse o coordenador. Os preços dos produtos agrícolas in natura, que haviam subido 15,79% em abril, registraram alta de apenas 1,18% neste mês.

Mas há também, segundo Quadros, o efeito da valorização cambial, que no IGP-10 de maio levou os bens intermediários a uma variação negativa de 0,26% em maio ante alta de 0,36% em abril. "A valorização nada desprezível do câmbio influenciou preços de produtos como celulose, por exemplo", disse.

Repasse ao consumidor

De acordo com Quadros, as desacelerações dos preços no atacado chegam para o consumidor em etapas diferentes. O repasse para o IPA e para o IPC dos alimentos in natura é instantâneo. Tanto que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) saiu de 0,88% em abril para 0,76% em maio. As hortaliças e legumes fecharam este mês com al0ta média de 2,72% ante 15,65% em abril.

Já o impacto dos produtos industrializados aparece no varejo ao longo de semanas. No caso das quedas apuradas no IGP-10, os efeitos dos menores preços serão vistos pelo varejo dentro de mais ou menos duas semanas.

Construção civil

Se de um lado os alimentos devem contribuir para manter a inflação estável em junho, de outro o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) refletirão os reajustes da mão de obra em São Paulo. De acordo com o Sindicato da Construção Civil de São Paulo (Sinduscn-SP), na semana passada a categoria fechou convenção coletiva para reajuste dos salários e foi concedido aumento de 7,32% para trabalhadores com salários abaixo de R$ 8 mil e de 5,82% para salários acima de R$ 8 mil. "São 7 cidades em que a FGV coleta preços da construção. São Paulo sozinha responde por 40%", disse Quadros.

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