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Inflação, de vilã a heroína dos EUA

Para economista Calomiris, de Columbia, volta da antiga inimiga pode reduzir o valor real das dívidas

Fernando Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

O economista Charles Calomiris, professor de Finanças da Universidade de Columbia, em Nova York, não vê nenhuma luz no fim do túnel a curto prazo para crise econômica global. Em dois a três anos, porém, ele tem esperança de que a política de "relaxamento quantitativo" do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tire a economia dos Estados Unidos do que ele chama de "recessão financeira". A forma como isso pode ocorrer, porém, é com a volta de uma velha inimiga, a inflação, que reduz o valor real das dívidas, e assim pode tirar consumidores e empresas americanos do atoleiro.O relaxamento quantitativo ocorre quando, com a taxa de juros já colada em zero, só resta aos bancos centrais a hipótese de inundar a economia de dinheiro. Isso é feito com a compra maciça de títulos em poder do público. Assim, Calomiris considera que a melhor notícia recente, em relação à crise financeira global, foi o anúncio do Fed de que vai comprar US$ 300 bilhões em títulos do Tesouro americano e prosseguir ampliando sua trilionária expansão monetária."Nós vivemos tempos muitos estranhos, e pode ser até que o Fed, em última instância, tome uma decisão consciente de inflacionar a economia", disse o economista ao Estado.Em relação ao saneamento bancário, porém, que considera crucial para resolver a crise a curto prazo, Calomiris é totalmente cético. Ele acha não vão funcionar os complexos planos do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, que envolvem a ampliação do uso da linha de US$ 1 trilhão do Fed para comprar ativos de crédito e dar liquidez a segmentos travados do sistema financeiro e os fundos de investimento público-privados que comprarão ativos tóxicos.OPINIÃO PÚBLICAO problema básico, para o professor, é que se criou um clima antissistema bancário na opinião pública dos Estados Unidos que tirou os incentivos para que o governo do presidente Barack Obama e o Congresso tomem de fato as iniciativas para resolver o problema. "O grande constrangimento político é que as pessoas odeiam os bancos e qualquer coisas que vá realmente ajudá-los será muito impopular."A recente revolta contra os bônus dos executivos da seguradora AIG, para Calomiris, é um sinal de que a política de remuneração pode ser incluída no plano para os bancos, o que ele considera negativo. "Não dá para consertar esses bancos se você diz a eles que não podem pagar bônus para os seus empregados, não é assim que as coisas funcionam." Ele prevê que muitos bancos simplesmente não vão aderir ao plano de Geithner.Ele acha também que a nacionalização "não é uma questão relevante, porque simplesmente não vai ocorrer a curto prazo". Segundo Calomiris, "vamos tocar com a barriga até que as coisas piorem ainda mais e, aí sim, pode ser que tenhamos a nacionalização".O economista prevê ainda que a Europa piore ainda mais que os Estados Unidos, à medida que cada governo tente salvar seus próprios bancos, dificultando o saneamento conjunto do sistema financeiro do continente. Quanto ao Brasil, porém, ele é mais otimista, já que considera que o afrouxamento quantitativo do Fed será uma força em favor da alta das commodities e que a China será o primeiro país a sair da crise. Os dois fatores beneficiam o Brasil.

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