Inflação, déficit comercial e desemprego sobem nos EUA

Os preços no atacado têm a maior alta em 13 anos em janeiro. O déficit na balança comercial atinge recorde em dezembro. O número de pedidos de auxílio-desemprego sobe. Esses três indicadores da maior economia do mundo, a dos Estados Unidos, foram divulgados hoje. InflaçãoO índice de preços aos produtores (PPI) deu um salto de 1,6% no mês passado, de acordo com dados do Departamento do Trabalho. Essa foi a maior alta em 13 anos, e o aumento dos preços de energia, alimentos e equipamentos de capital sugere que a fraca recuperação econômica dos EUA não está inibindo os riscos de inflação. Houve reajustes na maioria das categorias que compõem o índice. O núcleo do índice, que expurga os itens voláteis de alimentos e energia, subiu com mais moderação, mas o aumento foi o maior em quatro anos. A alta do núcleo foi de 0,9%, em janeiro. Os aumentos abalaram a percepção de que a economia enfraquecida dos EUA não criaria espaço para elevações de preços e surpreenderam os economistas. Wall Street projetava alta de apenas 0,5% do índice geral e de 0,2% para o núcleo do PPI, de acordo com pesquisa conduzida pela Dow Jones Newswires e CNBC. No mês passado, o presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, havia previsto que a inflação seguiria controlada, diante das condições enfraquecidas da economia e das perspectivas de guerra. Greenspan lembrou que os preços do petróleo cru subiram 30% neste ano, para acima de US$ 30 o barril, mas ressaltou que esse aumento provavelmente não teria um impacto forte na inflação geral.Mas o relatório do Departamento do Trabalho contraria essa visão, uma vez que identificou aumentos em várias categorias. Os preços de energia, que têm um peso de 14% no PPI, subiram 4,8%, o que correspondeu à maior alta desde junho de 2000. Colocar gasolina nos carros ficou 13,7% mais caro em janeiro. A alta foi a maior em três meses. Os preços dos alimentos, que respondem por 22% do índice, subiram 1,6%, a maior alta em seis anos e meio. Os preços de equipamentos de capital aumentaram 0,7%, após vários meses de queda. Os carros de passeio tiveram o maior aumento desde outubro de 1986, subindo 3,5%. Balança comercial O déficit na balança comercial voltou a atingir um novo recorde em dezembro, com as exportações registrando a maior queda mensal desde setembro de 2001. O déficit comercial dos EUA com outros países cresceu para US$ 44,24 bilhões em dezembro, superando o nível revisado de US$ 40 bilhões em novembro, de acordo com o Departamento do Comércio. Inicialmente, o déficit de novembro tinha sido estimado em US$ 40,10 bilhões. A ampliação do déficit foi mais um dado que surpreendeu os analistas, já que a previsão consensual de 15 economistas consultados pela Dow Jones-CNBC era de um rombo de US$ 38,50 bilhões. O déficir maior foi motivado, principalmente, pela queda de US$ 2,13 bilhões, ou 2,6% das exportações dos EUA. As importações, por outro lado, subiram US$ 2,11 bilhões ou 1,7%. O déficit na balança comercial de 2002 também atingiu um nível recorde anual, ao aumentar para US$ 435,22 bilhões. O déficit cresceu 21,5% sobre os US$ 358,29 bilhões de 2001. O crescimento do déficit foi o maior desde a ampliação de 44,4% registrada do ano de 1999 para o de 2000. Todos os déficits com o México, Europa Oriental, China e com as Américas do Sul e Central atingiram recordes em 2002. A China superou o Japão como o terceiro maior parceiro importador dos EUA, atrás apenas do Canadá e México. O déficit comercial dos Estados Unidos com o Brasil aumentou para US$ 567 milhões em dezembro, de US$ 205 milhões em dezembro. Os dados de comércio bilateral não são ajustados pelas razões sazonais. Auxílio-desemprego O número de pedidos de auxílio-desemprego atingiu na semana passada o maior nível desde 28 de dezembro, segurindo que o mercado de trabalho enfraqueceu-se após várias semanas de estabilidade. De acordo com o Departamento do Trabalho, os novos pedidos cresceram 21 mil na semana que terminou em 15 de fevereiro, para 402 mil. A variação superou as estimativas dos analistas de que avançasse 6 mil, para 383 mil. A alta da semana passada foi a primeira em três semanas e elevou o total de pedidos para acima da marca de 400 mil que os economistas acreditam estar relacionada a movimentos ascendentes da taxa de desemprego. A média de pedidos em quatro semanas, que exclui distorções semanais, subiu em 4.750, para 394.750. O número de trabalhadores recebendo o benefício por mais de uma semana subiu pela primeira vez em um mês, em 147 mil na semana que terminou em 8 de fevereiro, para 3,444 milhões. A taxa de desemprego entre trabalhadores que recebem o seguro-desemprego subiu um décimo de ponto percentual para 2,7%. As informações são da Dow Jones.

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