Inflação dentro da estimativa leva a queda de juro, diz Meirelles

Presidente do BC confirma ainda projeção de 4,7% para PIB de 2007, que será puxado pela demanda doméstica

JACQUELINE FARID, Agencia Estado

08 de outubro de 2007 | 14h52

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira, 8, que a convergência entre as expectativas de inflação para 12 meses e a inflação medida leva à continuidade da queda da taxa de juros real no País.  Mostrando um gráfico com a trajetória dos juros reais em seminário no Rio, Meirelles afirmou que "agora temos convergência das expectativas de inflação com a inflação medida e a conseqüência disso é a contínua queda da taxa de juros, já que a medida de inflação é fator importante para a redução do juro real". Durante a palestra "A economia mundial e as perspectivas para o Brasil", Meirelles citou várias vezes o que chamou de "dividendos da estabilidade para o País". Ele confirmou que a projeção do Banco Central para o crescimento do PIB de 2007 é de 4,7%.  Segundo ele, o crescimento da economia brasileira está sendo impulsionado pela demanda doméstica, em conseqüência do aumento da renda, do emprego e do crédito.  Meirelles citou os dados de atividade econômica como alguns dos "dividendos da estabilidade" e lembrou que o consumo das famílias tem registrado expansão trimestral em torno de 6%, enquanto os investimentos também aumentam embalados pela certeza de que a economia permanecerá estável e em crescimento. Ele citou também o bom desempenho das vendas do varejo, o crescimento da massa salarial e disse que a geração de emprego formal poderá ser recorde no Brasil este ano.  Meirelles citou, também como dividendos dessa estabilidade, o desempenho das exportações, o saldo em conta corrente e o investimento estrangeiro direto. "Sempre se discutia muito os custos da estabilidade e agora os seus benefícios ficam cada vez mais claros", afirmou. Crise O presidente do BC afirmou também que o risco de uma crise externa ainda existe, mas o Brasil está mais resistente a essas possíveis turbulências. "O risco não passou, existe ainda certa preocupação, especialmente de recessão nos Estados Unidos. Mas os riscos estão diminuindo, agora são menores", afirmou. Nesse cenário, segundo ele, o Brasil "é um país que tem maior resistência a turbulências nos mercados internacionais". Meirelles acrescentou que "ninguém é imune a crises" e todo o mundo será atingido se houver uma recessão nos EUA. "Mas o Brasil está muito melhor preparado", avaliou.

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