Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Inflação desacelera, mas deve fechar 2016 próxima de 7%

Apesar da forte recessão e da alta do desemprego, que já impactam os preços do setor de serviços, analistas ainda preveem que o IPCA ficará acima do teto da meta esse ano

Ricardo Leopoldo, Gustavo Porto e Mário Braga, O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2016 | 14h05

 

SÃO PAULO - Mesmo com a forte desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em março, com a taxa recuando abaixo dos dois dígitos no acumulado em 12 meses, economistas ainda projetam uma alta em torno de 7% da inflação em 2016. 

O diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira, considerou que o avanço de 0,43% no IPCA de março foi freada pela queda nos preços da energia e que o cenário ainda é de alta de 7% na inflação esse ano, apesar da forte recessão e da alta do desemprego. 

Segundo ele, essa alta acima do teto da meta do governo (atualmente em 6,5%) ocorrerá, inicialmente, por conta da "memória inflacionária" na majoração de preços lastreada em contratos no passado.

O diretor da GO Associados alerta ainda para pressões altistas na inflação do segundo semestre, oriundas de matérias-primas petroquímicas e ainda da alta no dólar aqui após o Banco Central dos Estados Unidos (Fed) sinalizar aumento nas taxas locais de juros. 

"O petróleo subirá e pode chegar aos US$ 45 o barril até o final do ano, o que pressionará principalmente a nafta para petroquímica e o querosene de aviação, já que não há espaço para gasolina e diesel subirem. Juntamente com o dólar, isso trará uma pressão razoável altista no segundo semestre", concluiu o economista.

Inflação de serviços recua. Marcio Milan, analista da Tendências, também vê a inflação em 7% no final do ano, e aponta que a Selic alcançará 13% no encerramento de 2016. Segundo ele, a forte recessão, que deve provocar uma queda do PIB de 4% neste ano, já começa a desacelerar os preços de Serviços. Em janeiro, esta categoria de preços subiu 8,35% em doze meses, baixou para 8,10% em fevereiro e atingiu 7,60% em março.

O analista econômico da RC Consultores, Everton Carneiro, diz que certamente deve cortar a sua estimativa de 0,67% para abril e de 7,9% para 2016. Ele salienta, no entanto, que é preciso aguardar o desenrolar do impasse político nas próximas semanas com a votação do impeachment para uma leitura mais clara sobre o comportamento dos preços. 

"Ou vai se confirmar uma desinflação significativa ou então teremos as empresas, que tiveram o lucro reduzido devido à recessão, aproveitando o momento menos turbulento para recompor as margens, o que pressionaria o IPCA", estimou Carneiro.

Entre os setores de atividade, o analista da RC Consultores também destaca que os preços do setor de serviços estão dando sinais de desaceleração. "E foi mais forte que o esperado", revelou. Para Carneiro, este comportamento é reflexo de cortes "mais drásticos" no padrão de consumo de famílias, empresas e governo. 

"Parece que após o período de mais de dez anos de bonança que tivemos, houve muita resistência em diminuir gastos. Mas agora, que estamos indo para o segundo ano de recessão, isso está ocorrendo e finalmente permitindo a diminuição da inflação de serviços", afirmou o analista da RC Consultores.

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