Maira Vieira/Estadão
Maira Vieira/Estadão

IPCA volta a cair e deve fechar ano abaixo de 3%

Com preços de alimentos ainda em queda, inflação fechou em 0,28% em novembro; índice acumulado no ano é o menor desde 1998

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2017 | 09h06

RIO - Os alimentos continuaram mais baratos, e a inflação de novembro surpreendeu para baixo. A alta de 0,28% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou abaixo das previsões, o que levou a uma série de revisões das projeções.

Levantamento feito pelo Projeções Broadcast com 32 instituições financeiras apontou que, agora, a previsão para a inflação de 2017 é de 2,8%.

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Até novembro, o IPCA acumula alta de 2,50% em 2017, menor resultado para esse período desde 1998, quando foi 1,32%. Como poucos apostam numa aceleração significativa em dezembro, será difícil o índice superar 3% - este é o piso da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo.

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"Teria de ter uma inflação muito forte este mês para o IPCA bater 3%, mas acredito que será difícil", disse Bernard Gonin, economista da Rio Gestão de Recursos.

A inflação ficou comportada em novembro porque o grupo Alimentação e Bebidas registrou deflação (ou seja, na média, os preços ficaram mais baratos) de 0,38%, a sétima queda mensal seguida.

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No ano, o grupo acumula queda de 2,4%. Mantido o ritmo, será o primeiro ano com deflação nos alimentos desde a implantação do Plano Real - segundo o IBGE, não faz sentido comparar com as taxas antes disso, pois o País vivia a hiperinflação.

Na média desta década, o grupo Alimentação e Bebidas avançou 9% ao ano, lembrou Fábio Romão, economista da LCA Consultores. "As condições climáticas favoreceram", disse. Além disso, o câmbio ficou mais comportado neste ano.

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A cotação do dólar impacta os preços dos alimentos por causa das matérias-primas agrícolas que, mesmo quando produzidas no Brasil, têm seus preços negociados internacionalmente na moeda americana.

O subgrupo "alimentação no domicílio" recuou 0,72% em novembro. Alguns destaques de queda foram farinha de mandioca (-4,78%), tomate (-4,64%), frutas (-2,09%), carnes (-0,11%), feijão-carioca (-8,40%) e ovos (-3,28%).

"Essa queda veio espalhada em todos os componentes", afirmou Fernando Gonçalves, gerente de Índices de Preços ao Consumidor do IBGE.

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Bem-estar. As famílias pobres sentiram mais os alimentos mais baratos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede os preços para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos, avançou 0,18%, com alta de 1,80% no ano, a menor da era do real.

Isso não significa necessariamente um aumento no bem-estar para os mais pobres, na visão da economista Patrícia Lino Costa, supervisora da área de preços do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), pois o aumento de outros itens do custo de vida, como a conta de luz, o botijão de gás e a conta de água, que não podem ser substituídos, estão em alta.

No geral, a inflação de serviços ficou em 0,12% em novembro. Segundo Gonçalves, isoladamente, os preços das passagens aéreas, com queda de 10,03%, explicam o arrefecimento. No acumulado em 12 meses, a inflação de serviços caiu de 6,5%, em dezembro de 2016 para 4,57% no mês passado./ COLABOROU MARIA REGINA SILVA

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