Inflação desacelera em agosto, mas acumula no ano a maior taxa desde 2003, afirma IBGE

IPCA acumula alta de 7,06% entre janeiro e agosto, a maior taxa em 12 anos; em agosto, inflação ficou em 0,22%

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 09h10

(Atualização às 16h15)

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,22% em agosto, ante 0,62% em julho, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o IPCA acumula alta de 7,06% no ano, a maior taxa desde 2003 (7,22%) e de 9,53% em 12 meses.

O IPCA acumulado em 12 meses até agosto desacelerou em relação ao verificado de julho, na mesma base de comparação. Naquele mês, o resultado acumulado de 9,56% foi o maior visto neste confronto desde novembro de 2003 (que chegou aos 11,02%). Mesmo com a desacelaração vista em agosto, a pesquisa do IBGE mostra que a inflação segue muito acima do centro da meta do governo (de 4,5%) e do teto (6,5%). Em quatro regiões, porém, o resultado já ultrapassa os dois dígitos

O resultado do mês passado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, da Agência Estado, que esperavam uma taxa entre 0,17% e 0,35%, com mediana de 0,23%. A alta de 0,22% no IPCA é a menor para o mês desde 2010, quando o indicador avançou 0,04%.

Grupos.  A inflação desacelerou em seis dos nove grupos pesquisados. A principal desaceleração ocorreu no grupo Transportes (0,15% para -0,27%), diante da queda de 24,90% nos preços das passagens aéreas. A queda deste item foi o principal impacto de baixa sobre o IPCA. Com o resultado, o item exerceu um impacto de -0,11 ponto porcentual no índice. Em queda, destacaram-se ainda automóveis usados (-1,03%), pneus (-1,00%) e acessórios e peças (-0,96%).

Apesar disso, outros itens ficaram mais caros, como gasolina (0,67%), diante de aumentos em cinco regiões, etanol (0,60%), ônibus urbano (0,60%) e automóvel novo (0,30%). No caso do ônibus urbano, a alta foi puxada pela região metropolitana de Belo Horizonte, cuja alta de 7,10% se deu em consequência do reajuste de 9,68% que entrou em vigor a partir do dia 8 de agosto.

Já o grupo Alimentação e Bebidas registrou queda de 0,01% nos preços em agosto. Parte expressiva dos produtos pesquisados passou a custar menos na passagem do mês. Só a batata-inglesa (-14,75%), o tomate (-12,88%) e a cebola (-8,28%) juntos tiveram impacto de -0,10 ponto porcentual no IPCA. Também ficaram mais baratos o açaí (-7,35%), a cenoura (-6,26%), o feijão-carioca (-3,37%) e o feijão-preto (-1,80%), entre outros alimentos.

Apesar disso, muitos deles acumulam altas consideráveis nos últimos 12 meses, como é o caso da cebola (139,86%) e da batata-inglesa (43,20%). No grupo dos alimentos que subiram em agosto, os destaques foram a farinha de mandioca (4,40%) e o alho (2,74%). 

Energia. A energia elétrica registrou queda de 0,42%. O recuo se deve à redução de impostos (PIS/Cofins) na maioria das regiões pesquisadas. O resultado ocorreu a despeito dos aumentos nas contas de energia em Belém, cuja alta de 3,69% reflete o reajuste de 7,47% a partir de 7 de agosto; e em Vitória, onde o avanço de 1,62% se deve ao reajuste de 2,52%, também em 7 de agosto. Com a influência da energia elétrica, o grupo Habitação desacelerou para alta de 0,29% em agosto, após subir 1,52% em julho, segundo o IBGE.

Além da energia elétrica, o botijão de gás ficou mais barato em agosto (-0,44%) em função de quedas expressivas verificadas nas regiões de Recife (-4,27%), Campo Grande (-2,69%), Rio de Janeiro (-1,12%) e Fortaleza (-0,99%). Por outro lado, outros itens do grupo Habitação apresentaram alta, com destaque para a taxa de água e esgoto (1,07%), mão de obra pequenos reparos (0,84%), condomínio (0,71%), artigos de limpeza (0,49%) e aluguel residencial (0,40%).

No caso da taxa de água e esgoto, a alta foi influenciada pelas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, cujas contas aumentaram 9,29% em função do reajuste de 9,98% ocorrido em primeiro de agosto, e de Vitória, onde as contas aumentaram 7,37%, refletindo parte do reajuste de 10,69% em vigor a partir do dia 8 de agosto.

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