Daniel Teixeira|Estadão
Daniel Teixeira|Estadão

Inflação desacelera em março e taxa em 12 meses volta a ficar abaixo de dois dígitos

IPCA de março caiu pela metade, fechando em 0,43%, o menor patamar para o mês desde 2012; em 12 meses, inflação acumula alta de 9,39%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2016 | 09h00

A inflação oficial do País, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou em março apra 0,43%, menos da metade da taxa de 0,90% de fevereiro, o que representou a menor taxa para o mês desde 2012 (0,21%). Com o resultado, o IPCA acumulado em 12 meses voltou a ficar abaixo de dois dígitos, em 9,39%, o menor nível desde junho de 2015, quando estava em 8,89%.

A taxa em 12 meses ainda está muito acima do teto da meta do governo para este ano, de 6,5%, mas bem abaixo do pico registrado em janeiro (10,71%). A inflação esteve durante quatro meses acima do patamar de 10%. No ano, o IPCA acumula alta de 2,62%.

A inflação mensal desacelerou pelo segundo mês seguido, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mensal ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas, que ia de uma taxa de 0,36% a 0,59%, e abaixo da mediana de 0,46%.

Apesar do freio no ritmo de aumento na taxa de inflação, os alimentos ficaram ainda mais caros. O grupo Alimentação e Bebidas acelerou de alta de 1,06% em fevereiro para 1,24% em março. Com um peso de 25,52% sobre o orçamento das famílias, o grupo teve o maior impacto positivo sobre a taxa de 0,43% do IPCA do mês, o equivalente a 0,32 ponto porcentual ou 74% de toda a inflação de março. Os alimentos comprados para serem consumidos em casa aumentaram 1,61%, enquanto a alimentação fora de casa subiu 0,55% em março.

"Alimentação dominou o resultado. Mais de 70% da inflação ficou com os alimentos", ressaltou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. As frutas subiram 8,91% em março, o item de maior contribuição positiva para a inflação. Também registraram aumentos expressivos a cenoura (14,52%), açaí (13,64%), alho (5,70%), leite (4,57%) e feijão-carioca (4,10%), entre outros. Na direção oposta, o tomate se destacou por ter ficado 7,43% mais barato.;

Outros itens ajudaram na desaceleração do IPCA. A energia elétrica ficou 3,41% mais barata em março, principal impacto negativo sobre o IPCA do mês. A contribuição do item foi de -0,13 ponto porcentual para a taxa de inflação de 0,43%. O movimento foi provocado pela redução na cobrança extra da bandeira tarifária que, a partir de primeiro de março, passou dos R$ 3 da bandeira vermelha para R$ 1,50 da bandeira amarela a cada 100 kilowatts-hora consumidos.

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'A energia elétrica não devolveu o que pegou. Os consumidores continuam pagando a conta mais alta da energia elétrica. Ter uma queda em março é muito bom, mas ainda não devolveu quase nada do que aumentou' - Eulina Nunes dos Santos, coordenadora do IBGE
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As contas de luz ficaram mais baratas em todas as regiões pesquisadas, com contribuição também da redução no valor das alíquotas do PIS/Cofins ocorrida na maioria delas. Salvador teve a maior redução na tarifa de energia em março, de -8,55%.

"O patamar de preços ainda está alto. A queda nas contas de energia foi muito importante no sentido de frear e segurar um pouco a inflação. Mas os preços não ficaram mais baixos em relação a 2014", observou Eulina. Apesar das reduções nos últimos meses, a conta de luz ainda acumula aumento de 45,01% de janeiro de 2015 a março de 2016. "Ou seja, a energia elétrica não devolveu o que pegou. Os consumidores continuam pagando a conta mais alta da energia elétrica. Ter uma queda em março é muito bom, mas ainda não devolveu quase nada do que aumentou", ponderou Eulina.

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