Marcos Santos | USP Imagens
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Inflação desacelera para 0,33% em julho e sobe 4,48% em 12 meses

Resultado é bem inferior ao aumento de 1,26% observado em junho, quando o índice foi afetado pelos problemas de desabastecimento em decorrência da greve dos caminhoneiros

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 09h03

RIO - A taxa de inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,33% em julho, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado é bem inferior ao aumento de 1,26% observado em junho, quando o índice foi afetado pelos problemas de desabastecimento em decorrência da greve dos caminhoneiros no fim de maio. Com relação a julho de 2017 (0,24%), houve alta.

No ano, a taxa acumulada pela inflação foi de 2,94%. Já em 12 meses, o IPCA acumulou alta de 4,48% – acima dos 4,39% observados no mesmo período no ano passado, mas ainda dentro da meta central do Banco Central, que é de 4,5% para o ano.  O resultado é o mais elevado desde março de 2017, quando a taxa em 12 meses estava em 4,57%. Já nos sete primeiros meses do ano, a alta acumulada é de 2,94%.

 

Setores

Os grupos Habitação (1,54%) e Transportes (0,49%) desaceleraram de junho para julho, mas foram os que mais contribuíram na composição do índice e tiveram as maiores variações entre os grupos de produtos e serviços pesquisados. Já Vestuário (-0,60%), Alimentação e bebidas (-0,12%) e Educação (-0,08%) tiveram deflação. 

No grupo Habitação (1,54%), o item energia elétrica (5,33%) desacelerou em relação a junho (7,93%), mas foi o item que exerceu o principal impacto no índice de julho (0,20 p.p.). Além da continuidade da vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2, com a cobrança adicional de R$0,05 por kwh consumido, algumas das áreas tiveram reajustes.

O grupo Alimentação, que responde por 25% das despesas das famílias, passou de uma contribuição de 0,50 ponto porcentual sobre o IPCA de junho para um impacto de -0,03 ponto porcentual para a inflação de julho.

A deflação no grupo em julho refletiu um aumento na oferta de itens alimentícios, beneficiados pela entrada da safra, mas também do realinhamento de preços após as altas exacerbadas decorrentes da paralisação dos caminhoneiros no final de maio, disse Fernando Gonçalves, gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE.

Os preços dos alimentos para consumo no domicílio caíram 0,59% em julho, após terem subido 3,09% em junho. As principais quedas foram registradas na cebola (de 1,42% em junho para -33,50% em julho), batata-inglesa (de 17,16% para -28,14%), tomate (de 0,94% para -27,65%), frutas (de 1,61% para -5,55%) e carnes (de 4,60% para -1,27%).

Por outro lado, as famílias pagaram mais pelo leite longa vida (11,99%) e pelo pão francês (2,22%).

Já a alimentação fora de casa acelerou de 0,17% em junho para 0,72% em julho. Ficaram mais caros no último mês o lanche fora de casa (1,40%) e a refeição fora de casa (0,39%). "Teve férias e Copa do Mundo. O que aumentou mais foi a refeição e o lanche fora. É porque as pessoas vão para a rua comemorar", justificou Gonçalves.

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