Inflação desacelera para 0,58% em maio, aponta prévia

Apesar da desaceleração, em 12 meses IPCA-15 fecha em 6,31%, se aproximando cada vez mais do teto estabelecido pelo governo, de 6,5%

Daniela Amorim, da Agência Estado,

21 de maio de 2014 | 09h00

SÃO PAULO - A prévia da inflação divulgada nesta quarta-feira, 21, mostrou uma alta de preços mais fraca em maio do que em abril. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) subiu 0,58% em maio, após avançar 0,78% em abril. Com o resultado, o IPCA-15 acumula taxas de 3,51% no ano e de 6,31% nos últimos 12 meses até maio. Em maio de 2013, o IPCA-15 tinha registrado alta de 0,46%.

A alta, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pela Agência Estado, que esperavam inflação entre 0,45% e 0,62%, mas abaixo da mediana de 0,55%.

Apesar da desaceleração em maio, a taxa acumulada em 12 meses pelo Índice IPCA-15 continuou a subir. Nos 12 meses encerrados em maio, o IPCA-15 ficou em 6,31%, acima do resultado registrado nos 12 meses encerrados em abril, quando a taxa foi de 6,19%. Como consequência, a inflação acumulada aproximou-se ainda mais do teto da meta estipulada pelo governo para este ano, de 6,5%. Parte do mercado acredita que o teto será ultrapassado em julho.

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a tendência é de queda. Nesta manhã, o ministro apontou que a próxima safra deve baixar o preço dos combustíveis, ajudando no resultado do IPCA.

Energia e remédios. Os aumentos nas tarifas de energia elétrica e nos remédios em maio fizeram com que somente esses dois itens respondessem por quase um terço da inflação no mês medida pelo IPCA-15. Juntos, eles contribuíram com 0,17 ponto porcentual para a taxa de 0,58% do IPCA-15 de maio.

As tarifas de energia elétrica subiram 3,76% no mês, o equivalente a um impacto de 0,10 ponto porcentual, o mais elevado no IPCA-15 de maio. Na região metropolitana de Belo Horizonte, a alta chegou a 13,67%, em função do reajuste de 14,24% em vigor desde 8 de abril. Em Fortaleza, a energia ficou 10,26% mais cara, devido ao reajuste de 16,55% a partir do dia 22 de abril. Em Salvador, a tarifa subiu 10,25% após o reajuste de 14,69% em 22 de abril. No Recife, a tarifa aumentou 8,08%, devido ao reajuste de 17,69% em 29 de abril, enquanto Porto Alegre teve elevação de 6,72%, em função do reajuste de 28,86% em uma das concessionárias a partir de 19 de abril. Nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro (1,67%) e de Belém (1,53%), as tarifas ficaram mais caras como consequência decorrentes do aumento de impostos (PIS/PASEP/COFINS).

O segundo maior impacto sobre o IPCA-15 do mês foi o dos remédios, que ficaram 2,10% mais caros, o equivalente a uma contribuição de 0,07 ponto porcentual para a inflação. A alta refletiu parte do reajuste autorizado em 31 de março, entre 1,02% e 5,68% de acordo com o medicamento. Como resultado, as despesas com Saúde e Cuidados Pessoais (1,20%) e Habitação (1,19%) registraram em maio as maiores variações entre os grupos pesquisados.

Alimentos. O menor ritmo de crescimento nos preços dos alimentos contribuiu para a desaceleração da inflação. O grupo Alimentação e bebidas reduziu a alta de 1,84% em abril para 0,88% em maio. Ficaram mais baratos em maio alimentos como a farinha de mandioca (-4,21%), hortaliças (-3,90%) e frutas (-1,04%). Ao mesmo tempo, subiram menos itens como a batata-inglesa (de +26,96% em abril para +13,75% em maio), leite longa vida (de +5,70% para +2,28%), feijão carioca (de +12,75% para +1,50%), tomate (de +14,80% para +1,42%) e carnes (de +2,83% para +0,45%).

Apesar da desaceleração, o grupo Alimentação e bebidas ainda deu a maior contribuição para o IPCA-15 de maio, o equivalente a 0,22 ponto porcentual da taxa de inflação de 0,58% verificada no mês. Em abril, os alimentos tinham respondido por 0,45 ponto porcentual da inflação de 0,78% registrada no mês.

Transportes. O grupo Transportes registrou deflação em maio. As despesas das famílias com transportes recuaram 0,33% no mês, após a alta de 0,54% registrada em abril. As passagens aéreas ficaram 21,26% mais baratas em maio, o que resultou na maior contribuição negativa para a inflação do mês, um impacto de -0,11 ponto porcentual. Os preços dos combustíveis também caíram: o etanol recuou 1,13%, enquanto a gasolina teve redução de 0,03%. Em maio, o grupo Transportes teve impacto de -0,06 ponto porcentual sobre o IPCA-15 do mês.

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