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Inflação deve convergir para a meta em 2016, aponta ata do Copom

Segundo o Banco Central, as projeções para a inflação mostraram algum alívio em 2014, mas IPCA ainda se mantém acima do centro da meta, de 4,5%; preços de serviços têm resistência

Célia Froufe, Adriana Fernandes, Victor Martins, O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2014 | 08h30

BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) revelou que suas projeções para a inflação mostraram algum alívio em 2014, mantiveram-se estáveis para 2015 e indicam que o IPCA entrará em trajetória de convergência nos trimestres iniciais de 2016. Essas informações constam na ata do Copom, divulgada pelo Banco Central. Na semana passada, o Comitê se reuniu e decidiu manter a taxa básica de juros Selic em 11% ao ano. 

No cenário de referência, a projeção para a inflação de 2014 diminuiu em relação ao valor considerado na reunião anterior, mas permanece acima do centro da meta de 4,5%. O mesmo movimento foi visto na estimativa para a inflação dentro do cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas com analistas de mercado: a projeção de inflação para 2014 diminuiu em relação ao valor considerado na reunião de julho, mas também permanece acima da meta.

Para 2015, em ambos os cenários, as projeções de inflação se mantiveram estáveis, e continuam acima da meta, conforme a ata. “Nos trimestres iniciais de 2016, as projeções indicam que a inflação entra em trajetória de convergência”, trouxe o documento. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de junho, o BC informou que a expectativa de inflação ao final de 2014, pelo cenário de referência, era de 6,4%, embora já considerasse os juros em 11% ao ano. No cenário de mercado, a projeção do RTI para o final de 2014 era também de 6,4%.

Segundo a ata, as informações disponíveis sugerem "certa persistência da inflação", o que reflete em parte a dinâmica dos preços no segmento de serviços. O BC destacou que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 0,01% em julho, 0,02 ponto percentual (p.p.) abaixo da registrada em julho de 2013 e 0,39 p.p. abaixo da registrada em junho de 2014. Dessa forma, considera o BC, a inflação acumulada em doze meses se deslocou para 6,50% em julho (6,27% em julho de 2013), com os preços livres aumentando 7,07% (7,86% em julho de 2013), e os preços administrados, 4,63% (1,31% em julho de 2013). 

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Note-se ainda que os preços no segmento de alimentos e bebidas aumentaram 7,70% em doze meses até julho, e os dos serviços, 8,45%
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Especificamente sobre preços livres, conforme o BC, os de itens comercializáveis aumentaram 7,11% em doze meses (6,81% em julho de 2013), e os de não comercializáveis, 7,04% (8,80% em julho de 2013). "Note-se ainda que os preços no segmento de alimentos e bebidas aumentaram 7,70% em doze meses até julho (11,41% em julho de 2013), e os dos serviços, 8,45% (8,48% até julho de 2013)."  

Energia. O Banco Central voltou a considerar um impacto ainda maior das tarifas de energia na inflação até o fim do ano. A projeção atual é de 16,8% para esse segmento ante taxa de 14% prevista no documento anterior. Por outro lado, o BC prevê alívio para os preços de segmentos importantes, como o da telefonia fixa. A autoridade monetária considera que ocorrerá redução de 6,3% nas tarifas desse serviço. Na ata passada, a percepção era de que haveria retração de 3,8%. Também nessa linha de impacto menor para os preços, o BC considerou que a gasolina registrou uma queda de 0,1% até julho ante constatação de alta de 0,7% verificada até junho.

No caso do botijão de gás também houve um alívio, ainda que menor, com a constatação pelo BC de que, até julho, houve aumento de 0,6% no preço deste produto. Na ata referente à reunião anterior, o valor considerado era de 0,7% até junho. Apesar dessas mudanças, o BC manteve a projeção de reajuste dos preços administrados para 2014 em 5% e, para 2015, em 6%. Para 2015, no entanto, a projeção de reajuste dos preços administrados subiu de 4,8% para 4,9%. 

Realinhamento de preços. O Banco Central abandonou a avaliação de que a inflação ainda mostra resistência em decorrência da elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos 12 meses. O trecho, que constava do parágrafo 27, foi retirado da ata. A avaliação do BC é que o ritmo de expansão da atividade doméstica tende a ser menos intenso este ano, em comparação ao de 2013. No médio prazo, o Copom avalia que mudanças importantes devem ocorrer na composição da demanda e da oferta agregada. 

Nesse cenário, o BC prevê que o consumo tende a crescer em ritmo mais moderado do que o observado em anos recentes; e os investimentos tendem a ganhar impulso. Para o BC, o fato de a inflação atualmente se encontrar em patamares elevados reflete, em parte, a ocorrência de dois importantes processos de ajustes de preços relativos na economia: o realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e dos preços administrados em relação aos livres.

O Copom avalia que esses ajustes de preços têm impactos diretos sobre a inflação. Mas ressalta novamente confiança na capacidade da política monetária de conter os efeitos de segunda ordem deles decorrentes. Para o BC, os efeitos da elevação da taxa Selic sobre a inflação, em parte, ainda estão por se materializar. E diz que os efeitos da política ainda tendem a ser potencializados porque os níveis de confiança ainda estão relativamente modestos. Na reunião, o Comitê manteve a taxa Selic em 11%. 

Dólar. O Copom informou que mudou sua premissa para o câmbio de R$ 2,20 para R$ 2,25 pelo cenário de referência. O valor considerado para o dólar está próximo ao valor negociado no dia em que o colegiado decidiu manter a Selic inalterada em 11% ao ano, quando o dólar fechou em R$ 2,2350. No mercado futuro, o dólar para outubro fechou no dia da reunião do Copom, na semana passada, em R$ 2,2535. Para a taxa básica de juros, o colegiado manteve a premissa considerada de 11,00% ao ano em todo horizonte relevante. 

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