Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Inflação deve fechar 2021 acima de 10% e perto do pico do governo Dilma, estimam economistas

Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, o IPCA deve fechar o ano em 10,12%; estimativa para o crescimento do PIB foi revista para baixo 

Thaís Barcellos , O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2021 | 10h23

BRASÍLIA - Economistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central elevaram novamente a estimativa para inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e passaram a prever um valor acima de dois dígitos neste ano.

A expectativa do mercado consta do relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, 22 pelo Banco Central (BC). A projeção dos analistas para o IPCA de 2021 subiu de 9,77% para 10,12%, alta ininterrupta há 33 semanas, desde o relatório do dia 12 de abril. Há um mês, a estimativa estava em 8,96%. 

Se confirmada a previsão, essa será a primeira vez que a inflação atinge esse patamar desde 2015 - quando o IPCA somou 10,67% - no governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

O centro da meta de inflação em 2021 é de 3,75%. Pelo sistema vigente no País, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Com isso, a projeção do mercado já está acima do dobro da meta central de inflação (7,5%).

Para 2022, o mercado financeiro subiu de 4,79% para 4,96% a estimativa de inflação - o 18.º aumento seguido. No ano que vem, a meta da inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%. Com isso, a estimativa se aproxima mais do teto do sistema de metas.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.

No comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) de outubro, o BC atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 9,5% em 2021, 4,1% em 2022 e 3,1% em 2023. No fim de outubro, o colegiado elevou a Selic em 1,5 ponto porcentual, para 7,75% ao ano.

Juros em alta

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a projeção para a taxa básica da economia no fim de 2021 em 9,25%, mas elevaram a estimativa para o término de 2022, que passou de 11% para 11,25%. Há um mês, as estimativas eram de 8,75% e 9,50%, respectivamente.

Em evento recente, a diretora de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Fernanda Guardado, indicou que o passo de 1,50 ponto porcentual para a alta da taxa Selic ainda "parece apropriado" e reforçou que o BC segue confiante de que é capaz de trazer a inflação de 2022 para o "mais próximo possível" do centro da meta.

No boletim Focus, o cenário para a taxa básica de juros da economia foi mantido para os anos seguintes. A estimativa para a taxa Selic no fim de 2023 seguiu em 7,75%, ante 7,00% há quatro semanas. Para 2024, permaneceu em 7,00%, de 6,50% um mês atrás.

PIB em baixa

Além de uma alta maior na inflação, o mercado financeiro também baixou a previsão de crescimento do PIB deste ano, que passou de 4,88% para 4,80%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no País e serve para medir a evolução da economia.

Para 2022, o mercado reduziu a previsão de alta do PIB de 0,93% para 0,70%. No começo deste ano, a previsão dos analistas era de uma alta de 2,5% para a economia no próximo ano. A expectativa começou a ser revisada para baixo somente em setembro.

O Ministério da Economia insistiu, na semana passada, em manter a previsão de crescimento do PIB de 2022 acima de 2% alegando que isso se deve à "melhora no mercado de trabalho e no investimento privado, principalmente em infraestrutura".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.