Inflação deve subir e dólar poderá cair este mês, diz BC

Representando a terceira alta consecutiva, as projeções do mercado para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março subiram de 0,34% para 0,40%, impulsionadas, principalmente, pelo aumento no preços dos combustíveis - em especial, do álcool. Os foram dados divulgados nesta segunda-feira pela pesquisa Focus, do Banco Central, mostrando, ainda, uma nova previsão de queda do dólar, que deve encerrar este mês cotado a R$ 2,12, em vez dos R$ 2,13, previstos anteriormente. Em contrapartida, a pesquisa registrou uma queda das previsões suavizadas de IPCA em 12 meses à frente, de 4,42% para 4,37%. Há quatro semanas, estas projeções estavam em 4,46%.O levantamento do BC também captou a sexta queda seguida das estimativas de IPCA para este ano das instituições Top 5 no cenário de médio prazo. Com a nova queda, as estimativas passaram de 4,39% para 4,36%. Isso deixou as previsões ainda mais abaixo da meta central para este ano, fixada em 4,50%.Por outro lado, as expectativas de mercado para o IPCA deste ano se mantiveram estáveis em 4,55% e interromperam, com isso, uma seqüência de quatro quedas seguidas. Apesar de estável, o total ainda é 0,05 ponto porcentual acima da meta central de inflação para este ano, de 4,50%.Para 2007, as projeções de IPCA permaneceram em 4,50% pela 31ª semana consecutiva, porcentual que corresponde ao centro da meta para o próximo ano (4,50%). Para o mês de abril, as estimativas de IPCA continuaram estáveis em 0,35%.DólarA queda do dólar não deve ser sentida apenas neste mês. Segundo as previsões, para abril a cotação da moeda norte-americana deve ser a mesma: R$ 2,13. As estimativas também recuaram para o fim do mês que vem, passando de R$ 2,13 para R$ 2,12.Para o final do ano, essas previsões ficaram estáveis em R$ 2,20 depois de terem caído por sete semanas consecutivas. Pela oitava semana consecutiva, as previsões médias em 2006 recuaram. Nesta pesquisa, o resultado foi de R$ 2,20 para 2,18. Porém, para o final de 2007, as previsões de câmbio ficaram inalteradas em R$ 2,40 pela terceira semana seguida. Já as estimativas médias para o próximo ano caíram de R$ 2,31 para R$ 2,30. SelicA pesquisa ainda aponta que na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será realizada entre os dias 18 e 19 de abril, a taxa básica de juros (Selic, atualmente em 16,5% ao ano) sofrerá um novo corte de 0,75 ponto. Com isso, as estimativas da Focus para a Selic de abril permaneceram em 15,75%. Para o fim do ano, as estimativas de juros caíram de 14,50% para 14,38%. As previsões tinham ficado estáveis em 14,50% por duas semanas seguidas. As estimativas de taxa média de juros para este ano recuaram pela oitava semana consecutiva e passaram dos 15,46% da semana passada para 15,34%. Já para o final de 2007, as projeções de mercado para a taxa de juros caíram de 13,38% para 13%. Esta foi a segunda redução consecutiva destas previsões, que estavam em 13,50% há quatro semanas. PIB e produção industrialDe acordo com a pesquisa, com a previsão de queda da Selic, as projeções de mercado para o crescimento da produção industrial neste ano subiram de 4,10% para 4,11%. A pequena alta compensou, em parte, a queda de 4,19% para 4,10% ocorrida na pesquisa divulgada na semana passada. Mesmo assim, os 4,11% esperados são maiores que os 4% projetados há quatro semanas. As previsões de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, por sua vez, continuaram estáveis em 3,50% pela 46º semana consecutiva. O porcentual, entretanto, é menor que 4% esperados pelo próprio BC. Para 2007, as estimativas de crescimento da produção industrial ficaram estáveis em 4,25% pela terceira semana seguida. Há quatro semanas, estas previsões estavam em 4,38%. As expectativas de aumento do PIB no próximo ano também não mudaram e prosseguiram em 3,70% pela segunda semana consecutiva. Há quatro semanas, estas previsões estavam em 3,60%. DívidaAs projeções de mercado para a dívida líquida do setor público em 2005 ficaram estáveis em 50,50% do PIB. Esta foi a terceira semana seguida que estas previsões não são alteradas pelos participantes da pesquisa do BC. Há quatro semanas, estas estimativas estavam em 50,45%. Para 2007, as expectativas de mercado para a dívida líquida do setor público também não mudaram, permanecendo em em 49% do PIB pela segunda semana consecutiva. Há quatro semanas, estas previsões estavam em 48,80%. Conta correnteNa pesquisa desta semana, o cenário para o mercado externo de 2006 permaneceram inalterados. Isso porque, pela quinta semana consecutiva, as estimativas para o superávit em conta corrente ficaram estáveis em US$ 9 bilhões. As previsões de superávit comercial para este ano também não mudaram e prosseguiram em US$ 40 bilhões pela sexta semana seguida. Já para o ano que vem, apesar de aumentarem de US$ 4,50 bilhões para US$ 4,56 bilhões, as projeções de mercado para o superávit em conta corrente continuaram inferiores ao projetado há quatro semanas, quando o total figurava na casa em US$ 5,60 bilhões. As estimativas de superávit da balança comercial no próximo ano avançaram de US$ 35 bilhões para US$ 35,50 bilhões, voltando ao mesmo patamar previsto há quatro semanas. Investimento estrangeiroAs projeções de mercado para o fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) em 2007 ficaram estáveis em US$ 16,30 bilhões. A estabilidade pôs fim a uma seqüência de duas elevações consecutivas destas previsões, que estavam nos mesmos US$ 16,30 bilhões há quatro semanas. Para este ano, as previsões de fluxo de IED continuaram estáveis em US$ 15 bilhões pela 12º semana consecutiva. IGPD-I, IGP-M e IPC-FipeAinda, segundo a pesquisa, as projeções de mercado para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) deste ano caíram de 4,08% para 3,95%. Esta foi a sexta queda consecutiva destas expectativas, que estavam em 4,50% há quatro semanas. Para 2007, as previsões de IGP-DI continuaram estáveis em 4,50% pela quinta semana consecutiva. As estimativas para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) para este ano, por sua vez, recuaram de 4,26% para 4%. Esta também foi a sexta queda seguida destas estimativas, que estavam em 4,56% há quatro semanas. Para o próximo ano, as previsões de IGP-M continuaram estáveis em 4,50% pela 17º semana consecutiva. Já as estimativas de mercado para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômica (Fipe) recuaram de 4,29% para 4,27% e anularam a alta ocorrida na semana passada. Há quatro semanas, estas previsões estavam em 4,49%. Para 2007, as estimativa de variação do IPC da Fipe ficaram estáveis em 4,50% pela segunda semana consecutiva. O IPC-Fipe mede a variação dos preços de produtos e serviços, no município de São Paulo, para famílias que ganham entre 1 e 20 salários mínimos.Este texto foi atualizado às 11h04.

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