Inflação do aluguel acelera para 0,77%

Com alta de 15,08%, preço do minério de ferro é responsável pela alta de 0,77% do IGP-M registrado em agosto, ante 0,15% em julho

Flavio Leonel, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) acelerou mais que o esperado em agosto, em razão de um maior avanço dos custos no atacado, pressionados pelo reajuste do minério de ferro. A taxa medida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) é usada para corrigir os contratos de aluguel.

A alta foi de 0,77 % em agosto, após 0,15% em julho. O coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, disse que o IGP-M poderá mostrar uma desaceleração em setembro em relação à taxa de 0,77% observada em agosto.

De acordo com ele, especialmente por causa da expectativa de um comportamento mais favorável do preço do minério de ferro, que foi o maior responsável pela aceleração do indicador "É mais provável que o IGP-M desacelere com um menor impacto do minério", comentou.

O minério apresentou alta de 15,08% em agosto ante variação positiva de 2,48% em julho e foi o item que mais pressionou o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), 60% do IGP-M.

"O item contribuiu com 0,70 ponto porcentual da alta de 1,24% do IPA", informou Quadros. "Mas, como o efeito do minério é localizado, é de se esperar que alta diminua ou até desapareça como influência", explicou, avaliando que as matérias primas, tanto industrial como agropecuária, tiveram papel decisivo no comportamento dos preços do atacado em agosto.

Retomada agropecuária. Apesar desta expectativa de menor pressão do minério para setembro, o coordenador salientou que é justamente a parte agropecuária do atacado que deverá impedir um alívio maior no IGP-M.

Classificada por uma parte dos especialistas do mercado como maior surpresa da divulgação da FGV, o IPA Agropecuário saiu de uma variação modesta de 0,28%, em julho, para uma elevação de 1,15% em agosto, num movimento até bastante parecido com o do IPA Industrial, cuja elevação, principalmente por causa do minério, passou de 0,18% para 1,26% no mesmo período.

Segundo Quadros, enquanto o minério deve deixar de ser o grande vilão do IGP-M, itens agropecuários, como a soja, o trigo e o milho, poderão ocupar o espaço do metal, até com a possibilidade de intensificação do que já foi observado em agosto.

No anúncio de ontem da FGV, em sintonia com a recuperação do preço nos mercados internacionais, a soja mostrou alta de 10,55% ante aumento de 3,94% no IGP-M de julho e respondeu por 0,38 ponto porcentual do IPA. "Somando-se as contribuições da soja e do minério, temos 1,08 ponto porcentual de toda a alta de 1,24% do IPA", calculou.

Os preços do trigo e do milho não subiram tanto, mas a expectativa de Quadros é de aumento maior em setembro, por conta de fatores climáticos que, no caso do trigo, já causaram problemas na safra na Rússia.

Para Quadros, o comportamento em alta de itens agropecuários também já é um sinal de que haverá, em breve, uma transmissão para os preços ao varejo, que, no IGP-M de agosto mostraram deflação de 0,27%, no Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M). "Foi o terceiro mês seguido de deflação para o consumidor. Isso não acontecia desde 1998", disse.

Deflação no varejo

O grupo Alimentação, especialmente na parte in natura, foi o grande responsável pela terceira deflação consecutiva do IPC-M, que integra o IGP-M. Mas isso não deve ocorrer em setembro.

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