Inflação do aluguel acelera para 0,95% na 2ª prévia de maio

IGP-M da FGV quase dobrou na 2ª medição do mês, pressionado por forte elevação dos custos no atacado

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

19 de maio de 2010 | 08h15

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) acelerou para 0,95% na segunda prévia do mês de maio, ante taxa de 0,50% apurada em mesma quadrissemana de abril, segundo informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quarta-feira, 19. A taxa acumulada do IGP-M é usada no cálculo de reajuste nos preços dos aluguéis. Até a segunda prévia de maio, o IGP-M acumula aumentos de 4,55% no ano e de 3,94% em 12 meses.

O impacto da disparada no preço do minério de ferro no atacado (de -1,06% para 27,16%) foi determinante para a taxa maior da segunda prévia do IGP-M. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros o minério de ferro respondeu por 0,69 ponto porcentual da inflação atacadista mensurada na segunda prévia de maio, que foi de 1,19%; e por 0,45 ponto porcentual da taxa da segunda prévia do IGP-M. "O minério respondeu por quase a metade do resultado da segunda prévia", resumiu o especialista.

Em abril, com a utilização de novas ponderações para os produtos pesquisados no atacado pela FGV, o peso do minério de ferro no cálculo da inflação no atacado aumentou de 1,06% para em torno de 2,5%. "Na segunda prévia de abril, o reajuste do produto ainda não tinha sido captado. A influência do minério foi preponderante no resultado", afirmou.

O especialista, porém, fez uma ressalva. Na análise de Quadros, a movimentação de preços principalmente no atacado está sendo "sombreada" pelo forte impacto do aumento no preço do minério na inflação. Em sua avaliação, outros pontos também merecem ser destacados, como a manutenção da inflação de bens intermediários em um patamar elevado, da segunda prévia de abril para igual prévia em maio (de 0,72% para 0,70%). "O fato de os preços dos bens intermediários continuarem subindo na faixa dos 0,70% é relevante. Isso significa que há uma pressão de aumentos nos preços dos produtos industriais, que continua a aparecer no atacado, e pode se espalhar para outros segmentos", afirmou. "A alta do minério foi sim muito aguda, mas reflete um ponto de elevação originado de um sistema de precificação que está caindo em desuso", disse, explicando que, diferente de outras commodities, o preço do minério fica estagnado até sofrer um reajuste em um período específico do ano.

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a segunda prévia do IGP-M de maio. O Índice de Preços por Atacado - Mercado (IPA-M) acelerou para 1,19%, após avançar 0,38% em igual prévia do mesmo índice em abril. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor - Mercado (IPC-M) desacelerou para 0,45% na segunda prévia deste mês, ante aumento de 0,50% na segunda prévia do mês passado.

Já o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) reduziu a intensidade da alta para 0,66% na segunda prévia do indicador deste mês, após registrar elevação de 1,25% na segunda prévia de abril.

 

Minério de ferro tem maior alta no atacado

Até a segunda prévia do IGP-M de maio, o IPA-M acumula altas de 5,00% no ano e de 3,15% em 12 meses, sendo que o IPA-M representa 60% do total do IGP-M.

Na análise da movimentação de preços entre os produtos no atacado, na segunda prévia do IGP-M deste mês, as altas de preço mais expressivas foram registradas em minério de ferro (27,16%); cana-de-açúcar (4,98%); e leite in natura (5,71%). Já as mais significativas quedas de preço, no atacado, foram apuradas em laranja (-15,54%); açúcar cristal (-10,58%); e tomate (-26,18%).

De acordo com a fundação, até a segunda prévia de maio, os preços dos produtos agrícolas no atacado acumulam aumentos de 6,01% no ano, e de 2,05% em 12 meses. Já os preços dos produtos industriais no atacado registram altas de 4,68% no ano, e de 3,51% em 12 meses.

No âmbito do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais acumulam taxas positivas de 4,57% no ano e de 4,74% em 12 meses até maio. Por sua vez, os preços dos bens intermediários registram altas de 4,69% no ano, e de 3,14% em 12 meses. Já os preços das matérias-primas brutas registram inflação de 6,12% no ano, e acumulam taxa positiva de 0,90% em 12 meses, até a segunda prévia de maio.

Produtos agrícolos e industriais

Os preços dos produtos agrícolas no atacado subiram 0,80% na segunda prévia do IGP-M deste mês, em comparação com a alta de 0,59% apurada na segunda prévia do mesmo índice em abril. De acordo com a FGV, os preços dos produtos industriais no atacado tiveram aumento de 1,32% na segunda prévia anunciada hoje, em comparação com a alta de 0,32% na segunda prévia de abril.

 

No âmbito do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais caíram 0,08% na segunda prévia de maio, após avançarem 0,57% na segunda prévia de abril. Já os preços dos bens intermediários apresentaram aumento de 0,70% na prévia divulgada hoje, em comparação com a elevação de 0,72% na segunda prévia do IGP-M de abril. Por fim, os preços das matérias-primas brutas tiveram taxa positiva de 3,92% na segunda prévia de maio, em comparação com a queda de 0,44% na segunda prévia de abril.

Recuo no varejo foi provocado por desaceleração dos preços dos alimentos

No varejo, o IPC-M acumula elevações de 3,94% no ano e de 5,34% em 12 meses, sendo que o IPC-M representa 30% do total do IGP-M.

Segundo a FGV, a desaceleração na taxa do IPC-M, na passagem da segunda prévia do IGP-M de abril para igual prévia do mesmo indicador em maio (de 0,50% para 0,45%), foi influenciada principalmente por um recuo brusco na inflação dos alimentos no período (de 1,57% para 0,56%). Isso porque, neste setor, houve quedas e desacelerações de preços em produtos importantes, como hortaliças e legumes (de 6,15% para -1,44%), laticínios (de 4,26% para 2,67%) e adoçantes (de 1,00% para -1,60%).

O grupo alimentação foi o único a apresentar desaceleração na variação de preços no varejo, da segunda prévia de abril para igual prévia em maio. Das sete classes de despesa pesquisadas para cálculo da inflação varejista, seis apresentaram acréscimos em suas taxas de variação de preços, no período. É o caso de despesas diversas (de -0,06% para 0,56%); habitação (de 0,24% para 0,48%); vestuário (de -0,06% para 0,26%); saúde e cuidados pessoais (de 0,45% para 0,90%); educação, leitura e recreação (de 0,13% para 0,30%); e transportes (de -0,64% para -0,16%).

Entre os produtos pesquisados no varejo, as altas de preços mais expressivas na segunda prévia do IGP-M de maio foram apuradas em batata-inglesa ( 13,67%); leite tipo longa vida (4,72%); e feijão carioquinha (19,52%). Já as mais significativas quedas de preços foram registradas em tomate (-17,66%); laranja pera (-7,86%); e melancia (-10,71%).

Materiais e mão de obra ajudam na elevação menor de custos na construção

Na construção civil, a inflação no setor medida pelo INCC-M acumula aumentos de 3,19% no ano e de 5,78% em 12 meses, sendo que o INCC representa 10% do total do IGP-M.

De acordo com a FGV, a desaceleração na taxa do INCC-M, da segunda prévia do IGP-M de abril para igual prévia em maio (de 1,25% para 0,66%) foi influenciada por aumentos menos intensos nos preços de materiais, equipamentos e serviços (de 0,75% para 0,53%) e em mão de obra (de 1,80% para 0,81%), no mesmo período.

Entre os produtos pesquisados, a FGV informou que as mais expressivas altas de preço na construção civil na segunda prévia do IGP-M de maio foram registradas em ajudante especializado (0,63%); servente ( 0,94%); e cimento portland comum (1,56%). Já as mais expressivas quedas de preços foram registradas em vergalhões e arames de aço ao carbono (-0,49%); massa corrida para parede - PVA (-1,06%); e refeição pronta no local de trabalho (-0,04%).

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