Paulo Pinto/Estadão
Paulo Pinto/Estadão

'Inflação do aluguel' desacelera e sobe 0,15% em agosto

Número foi resultado da manutenção da estabilidade nos preços no atacado, informou a Fundação Getulio Vargas

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2016 | 09h53

SÃO PAULO - O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) desacelerou de 0,18% em julho para 0,15% em agosto, divulgou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado do IGP-M deste mês ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, entre 0% e 0,23%, e acima da mediana de 0,10%. O IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os aluguel de imóveis.

Os preços dos produtos agropecuários no atacado caíram 0,11% em agosto, após registrarem queda de 0,25% em julho. Já os preços de produtos industriais avançaram 0,10% ante alta de 0,09% no mês passado.

Os preços dos bens intermediários caíram 0,36% em agosto ante avanço de 0,28% em julho. Já a variação dos bens finais foi de 0,15%, após elevação de 1,41% na mesma base de comparação. Os preços das matérias-primas brutas subiram 0,34%, ante recuo de 1,96% também no mesmo intervalo de tempo.

O Índice de Preços ao Produtos Amplo (IPA) ficou praticamente estável, apresentando avanço de 0,04% em agosto depois da tênue deflação de 0,01% em julho. Em 12 meses até agosto, o IPA acumula aumento de 13,53%. Em 2016, a inflação acumulada é de 6,72%. 

A principal contribuição para a aceleração registrada no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apurado para composição do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) veio do grupo Alimentação. De julho para agosto, o IPC-M acelerou de 0,29% para 0,40%. Nesta classe de despesa, a FGV destacou o comportamento do item frutas, que passou de uma deflação de 11,91% para 2,10%.

Segundo a FGV, também foi registrado acréscimo nas taxas de variação de outras cinco das oito classes de despesas que compõem o indicador. O grupo Transportes passou de -0,04% para 0,27%, tendo como influência a variação da gasolina (-1,02% para 0,16%). A taxa da classe de despesas intitulada Saúde e Cuidados Pessoais aumentou de 0,67% pra 0,76% entre julho e agosto, tendo como impulso a inflação dos artigos de higiene e cuidado pessoal (1,11% para 1,98%). 

A variação no grupo Educação, Leitura e Recreação passou de 0,62% para 0,83% na mesma base de comparação, tendo uma contribuição da forte alta dos preços dos ingressos para shows musicais (2,08% para 9,29%). A inflação no grupo Comunicação passou de 0,16% para 0,39% entre o mês passado e o atual, pressionado pelo encarecimento da tarifa de telefone móvel (0,19% para 1,46%). Por fim, o Vestuário passou de uma taxa negativa de 0,07% em julho para uma inflação de 0,07% em agosto sob a influência da menor deflação observada nas roupas (-0,27% para -0,04%).  

No sentido contrário, duas classes de despesas apresentaram decréscimo nas variações. Habitação passou de 0,13% para 0,01% entre julho e agosto, tendo como destaque o item condomínio residencial (0,48% para -0,30%). A taxa do grupo Despesas Diversas caiu de 0,58% para 0,10%, com destaque para alimentos para animais domésticos (2,51% para 0,20%). 

As maiores influências de alta para o IPC-M na passagem de julho para agosto foram leite tipo longa vida (apesar de a taxa ter caído de 15,58% para 9,07%), refeições em bares e restaurantes (0,33% para 0,92%), show musical (2,08% para 9,29%), plano e seguro de saúde (que repetiu em agosto a taxa de 1,05% registrada em julho) e perfume (1,39% para 3,50%). 

A lista de maiores pressões negativas, por sua vez, é composta por batata-inglesa (-8,50% para -15,88%), tarifa de eletricidade residencial (-1,04% para -1,50%), cebola (a despeito de a deflação ter caído de -35,52% para -24,57%), alface (3,88% para -10,56%) e tomate (8,06% para -7,09%).

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou, em agosto, variação de 0,26%, como já havia sido divulgado no dia 26 de agosto (veja nota sobre o resultado às 8h16 desse dia). O resultado do INCC neste mês ficou abaixo do observado em julho, de 1,09%.

 

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