Inflação do aluguel desacelera para 0,94% em março

Taxa mensal calculada pela FGV fica dentro das estimativas, após aumentar 1,18% em fevereiro

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

30 de março de 2010 | 08h05

A inflação mensurada pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) perdeu força este mês. O índice subiu 0,94% em março, após apresentar aumento de 1,18% em fevereiro. A informação foi anunciada nesta terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa mensal ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que esperavam um resultado entre 0,86% e 1,04%, mas foi levemente superior à mediana das projeções (0,93%).

 

A FGV anunciou ainda os resultados dos três sub-indicadores que compõem o IGP-M de março. O Índice de Preços do Atacado - Mercado (IPA-M) avançou 1,07% este mês, após subir 1,42% no segundo mês do ano. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor - Mercado (IPC-M) apresentou alta de 0,83% em março, em comparação com o aumento de 0,88% no mês passado. Já o Índice Nacional do Custo da Construção - M (INCC-M) registrou taxa positiva de 0,45% este mês, em comparação com a elevação de 0,35% em fevereiro.

 

 

A taxa acumulada do IGP-M é muito usada no cálculo de reajustes de aluguel. Até março, o indicador acumula taxas de inflação de 2,78% no ano e de 1,94% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de março foi do dia 21 de fevereiro a 20 de março. 

 

Laranja, tomate e leite sobem no atacado

 

O IPA-M acumula altas de 3,03% no ano e de 0,46% em 12 meses até março, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), sendo que o IPA-M representa 60% do total do IGP-M. De acordo com a fundação, os preços dos produtos agrícolas acumulam aumentos de 3,54% no ano e de 0,75% em 12 meses no âmbito do IGP-M. Já os preços dos produtos industriais registraram altas de 2,86% no ano e de 0,37% em 12 meses, de acordo com a fundação.

 

A FGV informou ainda que, na análise por produtos, as altas de preços mais expressivas no atacado em março, no âmbito do IGP-M, foram registradas em laranja (24,34%); tomate (76,53%); e leite in natura (6,04%). Já as mais expressivas quedas de preço, no atacado em fevereiro, foram apuradas em soja em grão (-5,60%); arroz em casca (-9,77%); e álcool etílico anidro (-9,46%).

 

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais tiveram aumentos de 3,80% no ano e de 3,78% em 12 meses até março. Por sua vez, os preços dos bens intermediários tiveram alta acumulada de 3,17% no ano e queda de 0,41% em 12 meses. Já os preços das matérias-primas brutas acumularam aumento de 1,65% no ano e deflação de 2,71% em 12 meses, até março.

 

No varejo, tomate tem alta mais expressiva

 

No varejo, a inflação junto ao consumidor mensurada pelo IPC-M, acumula altas de 2,74% no ano e de 5,15% em 12 meses até março, sendo que o IPC-M representa 30% do total do IGP-M.  

 

Ao analisar a movimentação de preços no âmbito dos produtos, a FGV informou que as altas de preço mais expressivas no varejo, no IGP-M de fevereiro, foram registradas em tomate (48,54%); leite tipo longa vida (6,00%); e batata-inglesa (8,50%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em maçã nacional (-17,97%); álcool combustível (-2,37%); e cenoura (-4,97%).

 

Segundo a FGV, a desaceleração na taxa do IPC-M, de fevereiro para março (de 0,88% para 0,83%) foi influenciada por taxas de inflação menos intensas em quatro das sete classes usadas para cálculo do IPC-M. É o caso de educação, leitura e recreação (de 0,87% para 0,20%); transportes (de 2,65% para 0,41%); saúde e cuidados pessoais (de 0,40% para 0,36%); e despesas diversas (de 0,48% para 0,17%). Apenas duas classes de despesa apresentaram aceleração de preços ou deflação mais fraca. É o caso de alimentação (de 1,23% para 2,24%); e de vestuário (de -0,40% para -0,24%). Já o grupo habitação manteve a mesma taxa de elevação de preços, no período (de 0,29%).

 

Mão de obra pesa na construção civil 

 

A inflação na construção civil medida pelo INCC-M acumula altas de 1,32% no ano e de 4,12% em 12 meses até março - o INCC-M representa 10% do total do IGP-M. 

 

Na análise por produtos, a fundação informou que as altas de preço mais expressivas na construção civil, no âmbito do IGP-M, foram registradas em ajudante especializado (0,45%); vergalhões e arames de aço ao carbono (0,82%); e servente (0,38%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em argamassa (-0,56%); madeira para telhados (-0,55%); e perna 3x3/estronca de 3ª (-0,28%).

 

De acordo com a FGV, a aceleração de preços no setor, medida pela taxa do INCC-M, de fevereiro para março (de 0,35% para 0,45%), foi influenciada por taxas de inflação mais intensas em mão de obra (de 0,22% para 0,40%) e em materiais, equipamentos e serviços (de 0,47% para 0,49%).

 

Produtos agrícolas

 

Os preços dos produtos agrícolas subiram fortemente este mês, com alta de 3,00% em março, em comparação com o avanço de 0,64% observado em fevereiro, no âmbito do IGP-M. De acordo com a FGV, ainda no atacado, os preços dos produtos industriais registraram aumento de 0,46% este mês, após apresentarem alta de 1,67% em fevereiro.

 

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais subiram 1,19% em março, em comparação com a alta de 1,82% em fevereiro.

 

Por sua vez, os preços dos bens intermediários registraram elevação de 0,81% este mês, em comparação com a alta de 1,70% em fevereiro. Já os preços das matérias-primas brutas apresentaram aumento de 1,33% em março, após subirem 0,37% em fevereiro.

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