Inflação do aluguel inverte rumo e sobe 0,63% em janeiro

Alta do IGP-M é a maior desde outubro de 2008, segundo FGV; em dezembro, deflação foi de 0,26%

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

28 Janeiro 2010 | 08h11

O IGP-M subiu 0,63% em janeiro, após apresentar deflação de 0,26% em dezembro. A informação foi anunciada nesta quitna-feira, 28, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa mensal ficou dentro do piso das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que esperavam um resultado entre 0,53% e 0,68%, mas foi superior à mediana das projeções (0,60%).

 

A taxa acumulada do IGP-M é muito usada no cálculo de reajustes de aluguel. Até janeiro, o indicador acumula deflação de 0,67% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de janeiro foi do dia 21 de dezembro a 20 de janeiro.

 

O índice de Preços do Atacado (IPA-M), que representa 60% do total do IGP-M, subiu 0,51% no primeiro mês do ano, após apresentar queda de 0,50% em dezembro. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), que tem peso de 30% no IGP-M, apresentou alta de 1,00% este mês, em comparação com a elevação de 0,20% em dezembro. Já o Índice Nacional da Construção Civil (INCC-M), com peso de 10% no IGP-M, registrou avanço de 0,52% em janeiro, após subir 0,20% em dezembro.

 

Acúçar, arroz e adubos e fertilizantes têm as maiores elevações

 

O IPA-M acumula em 12 meses queda de 3,02% até janeiro segundo a FGV. Na análise por produtos, as altas de preços mais expressivas no atacado em janeiro, no âmbito do IGP-M, foram registradas em açúcar cristal (10,91%); arroz em casca (8,09%); e adubos e fertilizantes compostos (7,64%). Já as mais expressivas quedas de preço, no atacado em janeiro, foram apuradas em soja em grão (-5,49%); tomate (-22,28%); e mamão (-27,00%).

 

De acordo com a fundação, os preços dos produtos agrícolas acumulam deflação de 4,36% em 12 meses no âmbito do IGP-M. Já os preços dos produtos industriais registraram queda de 2,62% em 12 meses, de acordo com a fundação.

 

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais subiram 2,14% em 12 meses até janeiro. Por sua vez, os preços dos bens intermediários tiveram queda de 4,99% em 12 meses. Já os preços das matérias-primas brutas acumularam deflação de 6,62% 12 meses, até janeiro.

 

Ônibus continua a pressionar inflação, mas custos com educação também puxam alta

 

No varejo, a inflação junto ao consumidor mensurada pelo IPC-M, acumula alta de 4,22% em 12 meses até janeiro. Ao analisar a movimentação de preços no âmbito dos produtos, a FGV informou que as altas de preço mais expressivas no varejo, no IGP-M de janeiro, foram registradas na já citada tarifa de ônibus urbano; manga (42,62%); e curso de ensino fundamental (4,89%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em cebola (-16,38%); limão (-20,57%); e tomate (-7,10%).

 

Segundo a FGV, a aceleração na taxa do IPC-M, de dezembro para janeiro (de 0,20% para 1,00%) foi influenciada principalmente por taxas de inflação mais intensas em Alimentação (de 0,05% para 1,42%) e em Transportes (de 0,22% para

2,29%). Em cada uma destas classes de despesa, houve fim de deflação e aumento intenso de preços, respectivamente, em hortaliças e legumes (de -1,23% para 3,49%) e em tarifa de ônibus urbano (de 0,00% para 4,69%).

 

Das sete classes usadas para cálculo do IPC-M, seis apresentaram acréscimo em suas taxas de variação de preços. Além das duas já citadas é o caso de Habitação (de 0,21% para 0,23%); Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,13% para 0,35%); Despesas Diversas (de 0,20% para 0,42%); e Educação, Leitura e Recreação (de 0,32% para 1,96%).

 

A única classe de despesa a apresentar desaceleração de preços, de dezembro para janeiro, foi a de Vestuário (de 0,95% para 0,44%).

 

Custos na contrução civil são influenciados por ajudante, vale transporte e servente

 

A inflação na construção civil medida pelo INCC-M acumula alta de 3,49% em 12 meses até janeiro. Na análise por produtos, a FGV informou que as altas de preço mais expressivas na construção civil, no âmbito do IGP-M, foram registradas em ajudante especializado (0,75%); vale transporte (4,80%); e servente (0,49%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em tinta a base de PVA (-0,61%); vergalhões e arames de aço ao carbono (-0,08%); e tábua de 3ª (-0,58%).  

 

A aceleração de preços no setor, de 0,20% para 0,52%, foi influenciada por taxas de inflação mais intensas em materiais, equipamentos e serviços (de 0,23% para 0,44%); e em mão de obra (de 0,16% para 0,60%).

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