Inflação do aluguel perde força e avança 0,50% na 2ª prévia de abril

Matéria-primas no atacado influenciam taxa menor; medição é quase a metade do aumento de 0,91% apurado há um mês

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

20 de abril de 2010 | 08h09

A segunda prévia do IGP-M subiu 0,50% em abril, quase a metade do aumento de 0,91% apurado em igual prévia do mesmo indicador em março. O resultado, anunciado nesta terça-feira, 20, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que esperavam uma elevação entre 0,40% e 0,56%, e foi igual à mediana das expectativas.

 

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a segunda prévia do IGP-M de abril. O Índice de Preços do Atacado (IPA-M) subiu 0,38% na prévia anunciada há pouco, após avançar 1,10% em igual prévia do mesmo índice em março.

 

Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) teve alta de 0,50% na segunda prévia deste mês, em comparação com o aumento de 0,64% na segunda prévia do mês passado. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou taxa positiva de 1,25% na segunda prévia do indicador deste mês, após registrar elevação de 0,37% na segunda prévia de março.

 

O resultado acumulado do IGP-M é usado no cálculo de reajuste nos preços dos aluguéis. Até a segunda prévia de abril, o IGP-M acumula aumentos de 3,29% no ano e de 2,61% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo da segunda prévia do IGP-M do quarto mês do ano foi do dia 21 de março a 10 de abril.

 

Matérias-primas no atacado puxam taxa menor do IGP-M

 

A deflação nos preços das matérias-primas brutas no atacado (-0,44%) comandou a taxa menor da segunda prévia do IGP-M. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, houve vários exemplos de quedas e desacelerações de preços no atacado que ajudaram a manter em desaceleração a taxa da segunda prévia de abril; mas o comportamento de preços das matérias-primas brutas foi destaque entre os produtos usados no cálculo da inflação atacadista. "Foi uma mudança muito forte; os preços das matérias-primas brutas subiam 1,61% na segunda prévia de março", lembrou o economista.

 

De acordo com Quadros, um dos produtos que mais contribuíram para a taxa negativa de preços de matérias-primas brutas no atacado foi a laranja - que saiu de uma elevação de 28,39% para uma queda de 15,81% entre a segunda prévia de março e a segunda prévia de abril. O especialista lembrou que a oferta deste produto foi afetada por rumores de uma quebra de safra na Flórida (EUA). Isso elevou o preço do item por semanas no mercado doméstico brasileiro.

 

"Parece que a quebra de safra que houve não foi tão intensa como as suspeitas apontavam; agora, a oferta começa a se regularizar, e os preços estão caindo", afirmou Quadros. Outros produtos que também estão ajudando a manter em queda os preços das matérias-primas brutas são aves abatidas frigorificadas, e cana de açúcar, que mostram quedas de 2,91% e de 1,22% respectivamente.

 

Entre os bens intermediários no atacado, Quadros comentou que a inflação dos materiais para manufatura também está enfraquecendo (de 1,31% para 0,99%). Isso porque estes produtos estão sofrendo "ondas" de aumentos de preços, beneficiados pelo reaquecimento das demandas nos mercados interno e externo, no cenário pós-crise. "Estamos agora em uma curva menos acentuada desta onda, por assim dizer, e agora os preços estão subindo menos; mas isso não significa que não vão voltar a subir de forma intensa, nos próximos meses", alertou.

 

Já nos bens finais, o especialista informou que houve quedas e desacelerações de preços em alimentos in natura (de 11,01% para 6,34%); e em alimentos processados (de 0,36% para -0,05%), o que também ajudou a manter baixa a taxa da segunda prévia do IGP-M de abril.

 

Na análise da movimentação de preços entre os produtos no atacado, na segunda prévia do IGP-M deste mês, as altas de preço mais expressivas foram registradas em leite in natura (9,54%); feijão em grão (22,30%); e batata-inglesa (32,65%). Já as mais significativas quedas de preço, no atacado, foram apuradas em farelo de soja (-14,88%); laranja (-15,81%); e soja em grão (-3,47%).

 

Varejo

 

No varejo, o IPC-M acumula elevações de 3,25% no ano e de 5,07% em 12 meses - sendo que o IPC-M representa 30% do total do IGP-M.

 

Segundo a FGV, a desaceleração na taxa do IPC-M, na passagem da segunda prévia do IGP-M de março para igual prévia do mesmo indicador em abril (de 0,64% para 0,50%), foi influenciada principalmente por um retorno à deflação nos preços de transportes (de 0,66% para -0,64%). Isso porque esta classe de despesa foi beneficiada por quedas de preços em combustíveis, como álcool combustível (-13,82%), e gasolina (-0,75%). Além disso, o preço de tarifa de ônibus urbano parou de subir (de 0,93% para 0,00%), no período.

 

Das sete classes de despesa usadas para cálculo do indicador, três apresentaram decréscimos em suas taxas de variação de preços, da segunda prévia de março para igual prévia em abril. Além de transportes, é o caso de despesas diversas (de 0,15% para -0,06%); e de habitação (de 0,27% para 0,24%). Já os grupos restantes apresentaram aceleração de preços, ou deflação mais fraca. É o caso de alimentação (de 1,55% para 1,57%); vestuário (de -0,43% para -0,06%); saúde e cuidados pessoais (de 0,32% para 0,45%); e educação, leitura e recreação (de 0,12% para 0,13%).

 

Entre os produtos pesquisados no varejo para cálculo da segunda prévia do IGP-M de abril, as altas de preços mais expressivas foram apuradas em leite tipo longa vida (8,90%); batata-inglesa (11,22%); e tomate (12,40%). Já as mais significativas quedas de preços foram registradas em álcool combustível (-13,82%); manga (-14,35%); e gasolina (-0,75%).

 

Construção

 

Na construção civil, o INCC-M acumula aumentos de 2,59% no ano e de 5,43% em 12 meses - sendo que o INCC representa 10% do total do IGP-M.

 

De acordo com a FGV, a aceleração na taxa do INCC-M, da segunda prévia do IGP-M de março para igual prévia em abril (de 0,37% para 1,25%) foi influenciada por taxa de inflação mais forte nos segmentos de materiais, equipamentos e serviços (de 0,45% para 0,75%) e em mão de obra (de 0,28% para 1,80%), no mesmo período.

 

Entre os produtos pesquisados, a FGV informou que as mais expressivas altas de preço na construção civil, na segunda prévia do IGP-M de abril, foram registradas em ajudante especializado (1,75%); servente (1,67%); e pedreiro (2,07%). Já as mais expressivas quedas de preços foram registradas em vergalhões e arames de aço ao carbono (-0,61%); ferragens para esquadrias (-0,23%); e massa corrida para parede - PVA (-0,66%).

 

Produtos agrícolas

 

Os preços dos produtos agrícolas no atacado subiram 0,59% na segunda prévia do IGP-M deste mês, em comparação com a alta de 2,92% apurada na segunda prévia do mesmo índice em março. A informação foi divulgada há pouco pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com a FGV, os preços dos produtos industriais no atacado tiveram aumento de 0,32% na segunda prévia anunciada hoje, em comparação com a alta de 0,52% na segunda prévia de março.

 

No âmbito do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais subiram 0,57% na segunda prévia de abril, após avançarem 0,91% na segunda prévia de março. Já os preços dos bens intermediários apresentaram aumento de 0,72% na prévia divulgada hoje, em comparação com a elevação de 0,97% na segunda prévia do IGP-M de março. Por fim, os preços das matérias-primas brutas tiveram taxa negativa de 0,44% na segunda prévia de abril, em comparação com a alta de 1,61% na segunda prévia de março.

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