''Inflação do aluguel'' tem deflação de 0,18%

O Índice Geral de Preços - Mercado(IGP-M)encerrou junho com queda de 0,18%. Foi a primeira deflação desde dezembro de 2009, quando o recuo havia sido de -0,26% e, por causa da crise, aquele o ano terminou com deflação de 1,72%. O IGP-M, que é usado para reajustar os aluguéis e outros contratos, acumula em 12 meses até junho alta de 8,65%. Em maio, o indicador em 12 meses estava em 9,77%.

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2011 | 00h00

"Esse resultado negativo de junho não sinaliza uma tendência, mas é algo pontual", afirma o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Ele pondera que, daqui para frente, pode ocorrer deflação em um ou outro mês.

Quadros argumenta que a deflação de junho se deve ao recuo do preço do álcool combustível e dos alimentos in natura. O álcool anidro caiu 30,31% no atacado. Nos alimentos in natura, a batata inglesa ficou 18,17% mais barata no atacado este mês. "Só a batata respondeu por quase 90% da deflação de 1,23% da comida no atacado."

Mas o especialista ressalta que o feito baixista nos preços provocado pelos produtos in natura e o álcool são transitórios. No caso do álcool, os preços já começam a subir nas usinas e as cotações dos alimentos in natura são muito voláteis. Logo, na sua avaliação, esses itens teriam fôlego curto para sustentar a deflação por um período maior.

Além disso, Quadros observa que existe uma forte resistência da inflação dos serviços que fica encoberta pela brusca oscilação dos alimentos in natura e do álcool. Entre dezembro do ano passado e junho deste ano, a inflação acumulada em 12 meses dos serviços livres ao consumidor subiu mais de um ponto porcentual, de 5,97% para 7,06%. No mesmo período, os preços dos bens de consumo tiveram uma retração, de 6,88% para 6,23%.

Para o coordenador da FGV, a resistência dos preços dos serviços ocorre em razão dos reajustes salariais. Ele acredita que esse cenário vai continuar no ano que vem, quando o salário mínimo terá reajuste real de 7,5%.

Consumidor. Dos três indicadores que compõem o IGP-M, dois registraram deflação em junho. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA)teve variação negativa de 0,45% e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve deflação 0,12%. Já o índice Nacional da Construção Civil (INCC) subiu 1,43%.

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