Inflação do aluguel tem maior nível desde julho de 2008

Índice Geral de Preços do Mercado acelera para 1,18%, ante aumento de 0,63% em janeiro deste ano

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

25 de fevereiro de 2010 | 08h31

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) subiu 1,18% em fevereiro, após apresentar aumento de 0,63% em janeiro. Trata-se da maior nível desde julho de 2008, quando o índice havia atingido 1,76%. A informação foi anunciada nesta quinta-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa mensal ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que esperavam um resultado entre 0,95% e 1,24%, e foi superior à mediana das projeções (1,11%).

 

A FGV anunciou ainda os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-M de fevereiro. O Índice de Preços do Atacado (IPA-M) subiu 1,42% no segundo mês do ano, após avançar 0,51% no mês passado. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) apresentou aumento de 0,88% este mês, em comparação com a alta de 1,00% no mês passado. Já o Índice Nacional da Consturção Civil (INCC-M) registrou taxa positiva de 0,35% em fevereiro, após registrar elevação de 0,52% em janeiro.

 

A taxa acumulada do IGP-M é muito usada no cálculo de reajustes de aluguel. Até fevereiro, o indicador acumula taxas de inflação de 1,82% no ano e de 0,24% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de fevereiro foi do dia 21 de janeiro a 20 de fevereiro.

 

Atacado

 

O IPA-M acumula alta de 1,94% no ano, mas ainda registra deflação de 1,83% em 12 meses até fevereiro. De acordo com a fundação, os preços dos produtos agrícolas acumulam aumento de 0,53% no ano e deflação de 4,94% em 12 meses no âmbito do IGP-M. Já os preços dos produtos industriais registraram alta de 2,39% no ano mas ainda acumulam queda de 0,81% em 12 meses, de acordo com a fundação.

 

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais tiveram aumentos de 2,59% ano e de 2,72% em 12 meses até fevereiro. Por sua vez, os preços dos bens intermediários tiveram alta acumulada de 2,34% no ano e queda de 2,53% em 12 meses. Já os preços das matérias-primas brutas acumularam aumento de 0,31% no ano e deflação de 6,84% em 12 meses, até fevereiro.

 

A FGV informou ainda que, na análise por produtos, as altas de preços mais expressivas no atacado em fevereiro, no âmbito do IGP-M, foram registradas em laranja (43,88%); açúcar cristal (18,11%); e cana-de-açúcar (4,04%). Já as mais expressivas quedas de preço, no atacado em fevereiro, foram apuradas em soja em grão (-12,38%); milho em grão (-5,12%); e farelo de soja (-5,54%).

 

Varejo

 

No varejo, a inflação junto ao consumidor mensurada pelo IPC-M, que representa 30% do total do IGP-M, acumula altas de 1,89% no ano e de 4,73% em 12 meses até fevereiro.

 

Segundo a FGV, a desaceleração na taxa do IPC-M, de janeiro para fevereiro (de 1,00% para 0,88%) foi influenciada por taxas de inflação menos intensas e deflação em três das sete classes usadas para cálculo do IPC-M. É o caso de alimentação (de 1,42% para 1,23%); educação, leitura e recreação (de 1,96% para 0,87%); e vestuário (de 0,44% para -0,40%). Os destaques para cada um destes grupos foram as mudanças nas trajetórias de preços de carnes bovinas (de 0,67% para -0,86%); cursos formais (de 3,55% para 2,02%)e roupas (de 0,70% para -0,62%), respectivamente.

 

Já os grupos restantes apresentaram aceleração de preços. É o caso de Transportes (de 2,29% para 2,65%); Habitação (de 0,23% para 0,29%); Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,35% para 0,40%); e Despesas Diversas (de 0,42% para 0,48%).

 

Ao analisar a movimentação de preços no âmbito dos produtos, a FGV informou que as altas de preço mais expressivas no varejo, no IGP-M de fevereiro, foram registradas em tarifa de ônibus urbano (4,98%); gasolina (1,90%); e açúcar refinado (10,46%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em passagem aérea (-13,60%); limão (-18,07%); e cenoura (-7,76%).

 

Construção Civil

 

A inflação na construção civil medida pelo INCC-M, que representa 10% do total do IGP-M, acumula altas de 0,87% no ano e de 3,49% em 12 meses até fevereiro. De acordo com a fundação, a desaceleração de preços no setor, medida pela taxa do INCC-M, de janeiro para fevereiro (de 0,52% para 0,35%), foi influenciada por taxa de inflação menos intensas em mão de obra (de 0,60% para 0,22%)no mesmo período.

 

Na análise por produtos, a FGV informou que as altas de preço mais expressivas na construção civil, no âmbito do IGP-M, foram registradas em servente (0,46%); vale transporte (3,13%); e massa de concreto (0,96%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em vergalhões e arames de aço ao carbono (-0,34%); tubos e conexões de ferro e aço (-0,27%); e compensados (-0,34%).

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