Inflação do ano abaixo de 10% é bem provável, diz Copom

A inflação de 2003 poderá ser de apenas um dígito. A avaliação é do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. "Restando somente os resultados de novembro e dezembro, torna-se cada vez mais provável a materialização de uma inflação de apenas um dígito para o IPCA em 2003, o que já vem sendo antecipado pelos agentes econômicos desde agosto deste ano, segundo pesquisa realizada pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores do BC (o Focus)", afirmam os diretores do BC na ata da reunião de novembro do Copom. Essa análise é baseada nos últimos resultados da inflação no Brasil. Para os diretores do BC, os resultados preliminares para novembro de índices como o IPCA-15, o IPC-Fipe e os IPCs, sugerem que, para este mês, a inflação tende a cair ou se estabilizar em patamares próximos aos valores registrados em outubro.A queda da inflação no mês passado, na avaliação do Copom, ratificou a avaliação do Comitê de que o aumento da inflação registrado em setembro seria apenas pontual e temporário. Os integrantes do Copom também destacaram na ata da reunião da semana passada o comportamento das expectativas de inflação, em especial o fato de que o mercado acredita que a inflação para os próximos 12 meses será de 5,9%. Essa projeção está abaixo dos 6% estipulados para a trajetória das metas para a inflação acumulada em 12 meses que se encerram em outubro de 2004. "Deve-se ressaltar que essa evolução das expectativas de inflação veio acompanhada de um aumento esperado para o crescimento do PIB em 2004, de 3,2% para 3,4%. Dessa forma, os agentes econômicos também parecem antecipar que a recuperação da economia ocorrerá de forma balanceada, sem prejudicar o cumprimento das metas de inflação em 2004", avaliam os diretores do BC. Dois membros queriam corte de 1 pontoDois integrantes do Copom votaram na semana passada pela redução em um ponto porcentual da meta da taxa Selic. Sete votaram pela redução de 1,5 ponto porcentual, para 17,5% ao ano. "Dois membros do Copom consideraram que seria mais adequado neste momento reduzir a meta para a taxa Selic em 100 pontos base, de modo a dar continuidade à flexibilização da política monetária em ritmo mais lento e reservando novos movimentos de maior impulso expansionista para quando o cenário de crescimento econômico com inflação compatível com as metas desse sinais mais firmes de consolidação", explicam os diretores do BC na ata. A maioria do Comitê, no entanto, entendeu que o balanço de riscos para a atividade econômica e para a inflação justificava "desde já" um impulso expansionista complementar, mediante redução de 150 pontos base na meta para a taxa Selic. "Sem que isso importasse em prejuízo da cautela com que julgam necessário proceder à flexibilização da política monetária diante das incertezas que cercam seu mecanismo de transmissão", argumentam os diretores.Queda era consensual A continuidade do processo de flexibilização da política monetária foi objeto de consenso na reunião do Copom. As razões para o consenso foram as projeções de inflação em 2004 abaixo da meta de 5,5%, a recuperação balanceada do nível de atividade econômica e o cenário externo considerado favorável. De acordo com o texto da ata divulgada na manhã de hoje, os integrantes do Copom também concordaram que os efeitos diretos e indiretos do corte de juros de 750 pontos feito entre junho e outubro sobre a inflação e o nível de atividade ainda não se manifestaram de forma integral. "Há incertezas importantes quanto à magnitude e à defasagem dos efeitos da política monetária sobre a economia", diz o texto da ata, ressaltando que as reduções dos juros básicos foram amplificadas pelas diminuições dos juros no mercado futuro. Leia também: Cenário é de recuperação econômica, diz o Copom

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