Inflação dos alimentos volta no fim do ano

Apesar de não ser um movimento explosivo, a subida dos preços dos produtos agrícolas, como milho, soja, trigo e algodão, deve ter impacto na inflação ao consumidor no último trimestre deste ano. "Há inflação pela frente. Ainda não deu tempo de ter reflexos nos preços ao consumidor, mas os IGPs já estão subindo", alerta o diretor da RC Consultores, Fabio Silveira.

, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

O Índice de Geral de Preços -10 (IGP-10), da Fundação Getúlio Vargas, se acelerou neste mês. O indicador encerrou setembro com alta de 1,12%, após de ter subido 0,46% em agosto. Os preços dos produtos agropecuários no atacado, que tinham aumentado 0,22% em agosto, subiram 3,55% este mês.

Entre os itens que mais impulsionaram a inflação no atacado estão soja (6,60%), milho (12,37%), algodão (26,22%) e bovinos (4,83%). Pelo segundo mês seguido, o pão francês, que leva farinha de trigo, ficou mais caro. O reajuste foi de 1,14% em agosto e de 1,45% em setembro.

"O impacto maior será nos IGPs", diz Bernardo Wjuniski , economista da consultoria Tendências, que concorda com Silveira. Nas suas contas, o aumento dos preços dos alimentos deve tirar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial, de resultados quase nulos em julho (0,01%) e agosto (0,04%) para altas de 0,45% ao mês no último trimestre. A aceleração deve ocorrer por causa dos alimentos, que já subiram 3,5% até agosto e devem fechar o ano com alta de 7%.

Já Silveira estima um IPCA de 0,35% ao mês no último trimestre. "Não será uma alta aterrorizante", observa. "Não teremos um descontrole inflacionário capaz de tirar a inflação do centro da meta", afirma Wjuniski. De toda forma, ele observa que a alta dos preços dos alimentos não deve se esgotar neste ano e novas rodadas podem ocorrer em 2011, especialmente se a seca que afeta hoje as áreas de plantio se prolongar.

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