Gerry Broome/AP Photo - 16 de abril de 2021.
Gerry Broome/AP Photo - 16 de abril de 2021.

Inflação dos EUA sobe 0,6% em maio e acumula alta de 5% em 12 meses

Resultado acumulado é o maior desde 2008; aumento do apetite do consumidor americano está esbarrando na escassez de componentes

AP

10 de junho de 2021 | 10h48

WASHINGTON - A inflação dos Estados Unidos teve mais uma alta em maio. O Departamento do Trabalho americano informou nesta quinta-feira, 10, que seu índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,6% em maio, depois de ter avançado 0,8% em abril, e acumula alta de 5% em 12 meses, o maior aumento nessa base de comparação desde 2008. 

O resultado veio acima do esperado por economistas, que projetavam uma inflação de 0,4% em maio, segundo a agência de notícias Reuters. O dado refletiu o aumento em uma gama de bens e serviços agora em crescente demanda, à medida que as pessoas compram, viajam, jantam fora e participam de eventos de entretenimento em uma economia em rápida reabertura.

O aumento do apetite do consumidor, porém, está esbarrando na escassez de componentes, de madeira e aço a produtos químicos e semicondutores, que fornecem produtos importantes como automóveis e equipamentos de informática, todos os quais forçaram a alta dos preços.

Enquanto os consumidores se aventuram cada vez mais longe de casa, a demanda se espalhou de produtos manufaturados para serviços - passagens aéreas, por exemplo, junto com refeições em restaurantes e preços de hotéis -, aumentando a inflação também nessas áreas.

Em seu relatório desta quinta, o governo americano disse que o núcleo da inflação, que exclui os custos voláteis de energia e alimentos, subiu 0,7% em maio, após um salto ainda maior em abril, e subiu 3,8% nos últimos 12 meses. Da fabricante de cereais General Mills à Chipotle Mexican Grill e à fabricante de tintas Sherwin-Williams, várias empresas têm aumentado os preços ou planejam fazê-lo, em alguns casos para compensar os salários mais altos que agora pagam para manter ou atrair trabalhadores.

A alta na inflação, que vem se acumulando há meses, não só pressiona os consumidores, mas também representa um risco para a recuperação da economia da recessão causada pela pandemia. Um risco é que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) acabe respondendo à intensificação da inflação aumentando as taxas de juros de forma muito agressiva e atrapalhe a recuperação econômica.

O Fed, liderado por Jerome Powell, expressou repetidamente sua crença de que a inflação será temporária, pois os gargalos de oferta serão resolvidos. Mas alguns economistas expressaram preocupação com o fato de que, à medida que a recuperação econômica se acelera, alimentada pelo aumento da demanda dos consumidores que gastam livremente novamente, o mesmo acontecerá com a inflação.

A questão é: por quanto tempo? "Os picos de preços podem ser maiores e mais prolongados porque a pandemia tem prejudicado muito as cadeias de abastecimento", disse Mark Zandi, economista-chefe da Moody's Analytics, antes do relatório de inflação desta quinta. Mas "no outono (do hemisfério norte) ou final do ano", ele acredita que os preços voltarão a cair. 

Autoridades observaram que os indicadores de inflação na comparação com 2020 parecem especialmente altos porque estão sendo medidos em relação aos primeiros meses da pandemia, quando a inflação despencou enquanto a economia praticamente fechava. Nos próximos meses, os números da inflação anual provavelmente parecerão menores. 

Mesmo assim, no mês passado, depois que o governo informou que a iflação havia subido 4,2% nos 12 meses encerrados em abril, o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, reconheceu: “Fiquei surpreso. Esse número ficou bem acima do que eu e analistas externos esperávamos".

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