Inflação e Argentina mantêm mercados estáveis

A inflação, os riscos externos (Argentina e recessão nos EUA) e as preocupações com as eleições presidenciais mantêm os investidores cautelosos. Mas, por outro lado, as perspectivas para a economia são positivas, com crescimento econômico projetado em até 3% para 2002 e, além dos bons números da balança comercial, há forte entrada de dólares por captações de empresas no exterior. O resultado é que as cotações oscilam próximas da estabilidade em um dia de poucos negócios por causa do feriados de Martin Luther King nos Estados Unidos na segunda-feira.Hoje a divulgação da segunda prévia do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) voltou a decepcionar. O indicador ficou em 0,58%, quando o mercado esperava algo entre 0,40% e 0,50%. Embora a previsão para o ano siga em 4%, o resultado reforça a expectativa de manutenção da Selic - a taxa básica referencial de juros da economia - nos atuais 19% ao ano na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom). A meta de inflação para o ano é apertada, e enquanto não houver sinais claros da esperada queda da inflação, os juros não devem ser reduzidos.As bolsas de Nova York reverteram as altas de ontem e voltam a apresentar fortes quedas hoje por causa da divulgação de resultados decepcionantes de empresas no quarto trimestre no ano passado. E, na Argentina, foram flexibilizadas as regras do "corralito" - semi-congelamento dos depósitos bancários, liberando os recursos em dólar de 78% dos poupadores, mas convertendo-os à taxa oficial de $1,40 peso. A medida não agradou, já que no paralelo a moeda norte-americana voltou a ser cotada a até $2,35 pesos e o Banco Central tem vendido dólares diariamente para controlar a desvalorização.Os protestos seguem com episódios de violência em toda a Argentina, pressionando o governo e preocupando os investidores. Em Nova York, segundo apurou o correspondente da Agência Estado, Fábio Alves, o orçamento elaborado pelo governo não agradou, pois baseia suas projeções em dados excessivamente otimistas, segundo os analistas ouvidos. A Bolsa de Valores de Buenos Aires voltou a operar em alta, sendo que as variações acompanham em parte a desvalorização do peso, mas também refletem transações para evitar o bloqueio de depósitos e as restrições para emissões ao exterior.Apesar de todos os problemas, o Fundo Monetário Internacional (FMI) enviará uma segunda missão a Buenos Aires, dando indicações claras de que está negociando com os argentinos. Além disso, observa-se nas medidas adotadas uma disposição clara do governo em pesificar a economia, distribuir os custos e adotar o câmbio flutuante. Também está se tentando implantar uma espécie de Proer para evitar uma crise bancária. É cedo para decretar qualquer vitória, mas já há alguns sinais mais claros do governo.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,3660, com queda de 0,63%. Os contratos de swap (troca) de títulos prefixados por pós-fixados com período de um ano fecharam o dia pagando juros de 20,08% ao ano, frente a 20,32% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,27%.Às 18h40, o índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires operava em alta de 6,33%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresentava queda de 0,72%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - estava em queda de 2,46%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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