Inflação e cenário fiscal justificaram queda dos juros, diz Copom

A evolução recente da inflação e as perspectivas para a sua trajetória futura, aliadas à melhora "significativa" do cenário fiscal de médio e longo prazos proporcionada pelo avanço das reformas no Congresso foram os elementos que permitiram ao Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzir de 24,5% ao ano para 22% ao ano a meta da taxa Selic, em sua reunião realizada na semana passada. "Levando em conta a evolução recente da inflação e as perspectivas para a sua trajetória futura, bem como a melhora significativa no cenário fiscal de médio e longo prazos proporcionada pelo rápido andamento das reformas, o Copom entendeu ser adequado avançar no processo de flexibilização da política monetária, promovendo neste momento um ajuste na taxa de juros básica de forma a posicioná-la numa trajetória consistente com a estratégia de convergência gradativa da estrutura de taxas de juros reais da economia para a sua posição de equilíbrio, com o objetivo já mencionado de garantir a convergência da inflação para a trajetória das metas", argumentam os diretores do BC na ata da reunião, divulgada esta manhã pelo Banco Central. O Copom insiste que a política monetária deve ser calibrada de forma que a trajetória da inflação convirja para a trajetória das metas. "No médio prazo, há uma estrutura a termo de taxas de juros reais na economia que é consistente com esse objetivo", avaliam os diretores do BC. "Em períodos de transição, como o atual, cabe à autoridade monetária estabelecer uma trajetória para a taxa de juros básica que permita a convergência gradativa da estrutura de taxas de juros reais para aquela que vigorará a médio prazo, de forma a garantir que a inflação se aproxime das metas com a menor volatilidade possível no produto", explicam os diretores. Para o Copom, à medida em que se obtêm evidências de que a trajetória da inflação está se tornado mais próxima da trajetória de metas, é "natural" que diminua a distância entre as taxas de juros reais prevalecentes para diferentes maturidades e seus valores de equilíbrio no médio prazo. Reajuste de preçosO Copom fez mais uma revisão em suas projeções para o reajuste dos preços da gasolina, do gás de cozinha e de tarifas como energia elétrica e telefonia. A expectativa dos diretores do BC é de que o preço da gasolina sofra um reajuste este ano de 4,9%. Em junho a expectativa era de um reajuste de 5,3% que depois foi reduzida para apenas 0,1% em julho. "Esse aumento decorre da depreciação cambial ocorrida desde a reunião de julho do Copom e, principalmente, do aumento do preço internacional do petróleo", justificam os diretores do BC. Para o gás de cozinha, o Copom elevou de 2,3% para 5,8% sua estimativa de reajuste de preços ao longo de 2003. Depois de ter reduzido, de junho para julho, o Copom elevou novamente sua projeção para o reajuste das tarifas de enegia elétrica. A aposta do Comitê é que essa tarifa sofra um aumento de 22,3% este ano e não mais de 21% como estimado em julho. Em junho, os cálculos feitos pelo Copom indicavam um reajuste de 23% para essas tarifas. "As projeções do último Copom para os reajustes das tarifas de telefonia fixa em 2003 foram mantidas em 25,5%, embora com nova distribuição ao longo do ano", explicam os diretores. Na avaliação do Copom, as liminares proferidas contra o reajuste das tarifas de telefonia acabaram fazendo com que esse item registrasse em julho um valor abaixo do previsto anteriormente pelo BC. "O Copom trabalhou com a hipótese de que a diferença entre o reajuste projetado e o ocorrido em julho será compensada até o final do ano", dizem os diretores na ata. Projeção de inflaçãoO comitê também elevou de 13,1% para 14% sua projeção para a inflação em 2003 do chamado conjunto de preços administrados, que incorpora as tarifas públicas. "O aumento das projeções dos reajustes de derivados de petróleo (gasolina e gás de cozinha) e das tarifas de energia elétrica residencial foram as principais causas para a elevação das projeções de administrados para 2003", justificam os diretores do Banco Central. Para 2004, entretanto, o Copom reduziu para 8,7% sua projeção para a inflação que os preços administrados deverá registrar. Na reunião de julho, os cálculos do Copom indicavam uma inflação de 9,6% para esse conjunto de preços ao longo de 2004. Os diretores do BC também chamam atenção para o fato de que a manutenção da taxa de juros em 24,5% ao ano e da taxa de câmbio em R$ 3,00 por dólar - patamar vigente na véspera da reunião do Copom na semana passada - indicam que a inflação em 2003 superaria a meta ajustada de 8,5% mas ficaria abaixo da meta de 5,5% em 2004.

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