Inflação e desemprego derrubam vendas do varejo

Agosto foi o sétimo mês consecutivo de queda do volume de vendas do comércio varejista, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2015 | 02h28

O recuo acentuou-se por qualquer critério de análise. Comparado com julho de 2015, pior mês desde 2000, segundo os dados revistos pelo IBGE, houve diminuição de vendas de 0,9% no varejo restrito (que exclui veículos e peças) e de 2% no varejo ampliado; e, entre agosto de 2014 e agosto de 2015, as quedas foram, respectivamente, de 6,9% e de 9,6%. Pelo critério de média móvel trimestral, o varejo restrito recuou 4,5% em relação a igual período de 2014.

O enfraquecimento superou a média prevista por consultores econômicos, que já preveem até 10% de queda neste ano. Se há uma novidade em relação aos meses anteriores é o ritmo de enfraquecimento.

Por seu peso nas atividades do varejo, a maior influência na queda veio de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-4,8% em agosto, sobre igual mês de 2014). Isso basta para mostrar que as famílias cortam o consumo de itens essenciais à saúde e ao bem-estar.

Seguiram-se as quedas de móveis e eletrodomésticos (-18,6%) e de tecidos, vestuário e calçados (-13,7%), além de combustíveis, artigos de uso pessoal, livros, revistas e jornais, equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicações. A queda só não atingiu o setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria. Em relação a julho, houve redução generalizada de vendas em 23 dos 27 Estados pesquisados.

A inflação rondando os 9,7% no ano, segundo o boletim Focus, do Banco Central, é a maior inimiga do consumo, seguindo-se o desemprego, o crédito caro e cada vez mais escasso e o medo do futuro. A massa de rendimento real habitual dos ocupados diminuiu 5,4% em relação a agosto de 2014. O poder de compra das famílias, que crescia desde 2004, está agora caindo. As pessoas não deixam de consumir para poupar, mas porque não têm renda suficiente.

Os indicadores do varejo são um bom termômetro da fragilidade da economia. Permitem avaliar a situação financeira dos consumidores e ajudam a entender as agruras da indústria, que não tem a quem vender a produção e carrega estoques elevados – problema que também afeta o comércio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.