Inflação e mercado de crédito pressionam bolsas

Mercados norte-americanos abriram em queda reagindo à divulgação do CPI e às preocupações com o crédito

Agência Estado,

20 de fevereiro de 2008 | 11h34

O mercado financeiro começou o dia com duas notícias ruins. A inflação ao consumidor nos Estados Unidos (CPI) subiu mais do que o esperado em janeiro. A alta foi de 0,4% e a previsão era de 0,3%. O núcleo da inflação (que leva em conta preços sem oscilação mais forte) avançou 0,3%, superando também a estimativa de 0,2%. Veja também: Maioria dos norte-americanos espera recessão, mostra pesquisa  O outro dado que causa apreensão entre investidores é que o KKR Financial Holdings, filial do grupo de private equity KKR, adiou o pagamento de bilhões de dólares de commercial papers (títulos de empresas negociados no mercado internacional) pela segunda vez e começou uma nova rodada de negociações de reestruturação com seus credores sobre dívida vencida na sexta-feira. As ações do KKR Financial despencaram 17% no pré-mercado. Com menor influência entre os investidores, mas também como um fator negativo está a informação de que o número de construções de residências iniciadas em janeiro subiu 0,8% para a taxa anualizada de 1,012 milhão. Analistas previam alta de 1,4% para 1,02 milhão. Contudo, apesar da alta menor do que o esperado, foi o primeira avanço do dado em três meses. Ainda assim, o número de permissões para novas construções - considerado um indicador de atividade futura do setor - diminuiu 3% em janeiro para a taxa anual de 1,048 milhão. As bolsas reagiram. Na Europa, as bolsas operam em queda. Em Londres, as ações caíram 1,40%. Na Alemanha, a baixa é de 1,63%. Em Paris, a baixa é de 1,65%. Em Madrid, a bolsa recua 1,56%. Em Nova York, o índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na bolsa - cai 0,47%. A Nasdaq cai 0,15%. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a cair quase 1% após a abertura, mas perto do meio-dia reduziu a baixa para 0,10%. O dólar comercial está estável, vendido a R$ 1,7330. Este é o patamar mais baixo desde 24 de março de 2000, quando a moeda norte-americana encerrou o dia a R$ 1,7320.  A disparada do preço do petróleo, que fechou superou novamente a barreira dos US$ 100 o barril, também pode mexer com a Bolsa nesta quarta-feira. Hoje, o petróleo está sendo negociado em baixa de quase 1% no mercado eletrônico em Nova York, num movimento classificado de realização de lucros. Mas assim mesmo, a commodity continua no radar do mercado pelo seu efeito inflacionário. A alta forte de ontem foi motivada pela explosão na refinaria da Alon USA em Big Spring (Texas) e a avaliação preliminar indicando que a refinaria poderá ficar inativa por semanas ou até meses. O quadro se completou com a ameaça às instalações na Nigéria e a preocupação com a possibilidade de a Opep reduzir sua produção na reunião de 5 de março. O petróleo pesou nos mercados asiáticos nesta quarta-feira, refletindo temores dessa alta da commodity nos lucros das empresas e na economia global. O índice Nikkei caiu 3,3% e a bolsa de Hong Kong cedeu 2,2%, contaminando também as bolsas na Europa.  Ações no Brasil Aqui, as ações da Cesp disparam mais de 7% no final da manhã. O movimento já era esperado depois que o governo de São Paulo aceitou o preço mínimo de R$ 49,75 por ação para Cesp, o que supera em 38,2% o valor das ações ordinárias (ON, com direito a voto) no mercado. Ontem, o papel fechou a R$ 36,00. Em relação às PNBs (preferenciais, sem direito a voto), cotadas a R$ 45,80 pelo fechamento, o prêmio é de 8,6%. Segundo analistas, o preço mínimo fixado supera as previsões, que variavam de R$ 46 a R$ 47. O edital do processo será divulgado a partir do dia 25 de fevereiro, e o leilão está agendado para 26 de março. O aviso detalha ainda que a venda dos papéis será em bloco único. Já o efeito da notícia sobre uma possível fusão entre Bovespa e BM&F nos respectivos papéis ainda é uma incógnita, dizem os especialistas. "A notícia é boa porque uma eventual fusão fortaleceria as duas bolsas, evitando competição entre as duas bolsas e evitando de serem compradas por um player (operador) estrangeiro, o que seria ruim para a bolsa que sobrasse", diz uma fonte, acrescentando que para os papéis é difícil avaliar o impacto nesse momento.  Comunicado ao mercado divulgado ontem à noite informa que a Bovespa e a BM&F estão em conversações visando a integração de suas atividades, o que confirma rumores antigos do mercado. As negociações devem durar 60 dias. Durante esse período, as duas bolsas não se pronunciarão sobre o andamento das conversas nesse período. Também não há qualquer garantia de que o negócio será consumado. As ações da Bovespa estão em alta de 10%, enquanto a BM&F sobe 5,25%.

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