Inflação é o desafio do novo ministro argentino da Economia

O novo ministro argentino daEconomia, Carlos Fernández, assume o cargo na sexta-feira, nolugar de Martín Lousteau, com a difícil tarefa de manter ocontrole sobre a inflação, mas sem usar políticas quedesacelerem o consumo e os gastos públicos. Lousteau renunciou na noite de quinta-feira, pouco mais deum mês depois de implementar um novo sistema de impostosvariáveis sobre as exportações de grãos, o que gerou umprotesto de três semanas do setor ruralista, com o consequentedesabastecimento de gêneros nas principais cidades. Mas a gota d'água para a saída dele foi um plano contra ainflação que continha medidas que reduziriam o crescimentoeconômico. A presidente Cristina Fernández Kirchner se recusa aestimular a redução de preços por meio de medidas que restrinjam o consumo e os gastos públicos. A saída de Lousteau "mostra que o governo não reconhece quea inflação é um problema e não está disposto a tomar medidaspara fazer algo a respeito," disse à Reuters o analista DanielKerner, do Eurasia Group. A troca no comando da Economia já era motivo de rumores nasúltimas semanas, junto com outras possíveis mudanças nogabinete de Cristina, que assumiu o poder em 10 de dezembro edesde então já trocou três ocupantes de cargos de primeiroescalão. Em suas primeiras declarações à imprensa como ministrodesignado, na porta da sua casa, Carlos Fernández disse estar"preocupado com a economia do país, em contribuir com tudo oque eu possa para que isso continue tão bem quanto até agora". Alberto Fernández, chefe-de-gabinete do governo, disse auma rádio que os fundamentos econômicos --superávit fiscal ecomercial, acumulação de reservas e câmbio competitivo--continuarão sob a nova gestão. Ele afirmou que Lousteau "estava fazendo prevalecer lógicaspessoais" acima das diretrizes do governo, e voltou a rejeitarmedidas que freiem o crescimento. A troca no comando da Economia, os sinais deinflexibilidade na política econômica e a prolongada criseagrícola afetaram os o câmbio, os bônus e as ações no mercadolocal. O índice Merval, da Bolsa argentina, teve queda de 1,31 porcento, os bônus do país já perderam 5 por cento e o peso estáem sua menor cotação desde 2003. A inflação é um dos maiores desafios do governo de CristinaKirchner, projetada oficialmente em 8,8 por cento neste ano--embora analistas estimem que na verdade a cifra seja de até25 por cento.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.