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Inflação e rolagem de títulos deixam o mercado confuso, diz ex-direto do BC

Surpreendido por aumentos sucessivos dos preços nos últimos dias, o mercado financeiro está confuso sobre a tendência do dólar e os rumos da inflação. É o que explica as dificuldades do Banco Central para a rolagem dos contratos de títulos indexados ao dólar, no valor de US$ 2,3 bilhões, que vencem na próxima segunda-feira. "O mercado teme a possibilidade de perder se o cupom cambial (juro pago em dólar) vier a subir. Por isso, mesmo que a variação cambial atenda sua necessidade de hedge (proteção), está preferindo papéis mais curtos", disse o ex-diretor do BC e consultor para o comércio exterior, Emílio Garófalo.Para ele, existem hoje sérias dúvidas sobre a inflação, que já levou a taxa de câmbio para um novo patamar. "Se, há poucos dias, nós achávamos que R$ 3 era uma taxa muito alta, hoje R$ 3,50 deixou de assustar. O mercado não está disposto a operar com o dólar abaixo disso", disse.O economista acredita que a definição da equipe econômica do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em particular dos nomes para o BC, poderia ajudar a distender as expectativas. Mas está convencido de que "a inflação é o mistério que o Copom terá de desvendar até a próxima reunião (dias 17 e 18 de dezembro)".Sobre a possibilidade de um novo aumento do juro, Garófalo acredita que há uma boa chance de acontecer se o Banco Central obedecer os padrões técnicos, como se espera. Mas não se arrisca a prever a magnitude desse ajuste. "Nós ainda precisamos ter mais informações sobre o impacto cambial nos preços. Não temos ainda uma avaliação adequada de quanto já foi para os preços e quanto ainda pode ir", disse.Segundo ele, muita gente que não tinha aumentado os preços apostando em uma queda do dólar, pode estar fazendo isso agora. "É essa a avaliação que o BC vai ter de fazer para decidir um aumento de um ou dois pontos percentuais na taxa Selic", afirmou.Ansioso com a alta da inflação, o mercado também mostra dúvidas sobre as decisões de investimento. "Eu sinto hoje o mercado absolutamente disperso em suas opiniões, e um pouco perdido. Quem aposta que (a inflação) é uma bolha quer o pré-fixado, quem acha que a inflação terá continuidade prefere o pós-fixado", disse. Garófalo, no entanto, não está tão pessimista nas projeções para o câmbio até o final do ano. Afirma que o BC tem os instrumentos para agir, embora considere improvável que volte a vender dólares no mercado à vista.Para ele, dezembro é um mês atípico, quando os exportadores tendem a antecipar o fechamento de câmbio e muitas empresas costumam levar dinheiro para fora para não fechar o balanço com posição no Brasil. Este ano é ainda mais atípico por causa da transição governamental. Ele disse que se tivesse de apostar, apostaria em uma taxa de câmbio "daqui (R$ 3,60) para baixo".

Agencia Estado,

28 de novembro de 2002 | 16h24

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