Inflação é um dos destaques do dia no mercado

Um dos pontos de atenção para o mercado financeiro nesta quinta-feira foi a divulgação de índices de inflação. Logo no início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é usado como referência para a meta de inflação. O Índice de setembro ficou em 0,78%, acumulando uma alta de 8,05% no ano. O resultado deste mês ficou um pouco acima das perspectivas dos analistas, que esperavam um resultado entre 0,61% e 0,77%. Apesar disso, a gerente do Departamento de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, disse que a alta do IPCA em setembro "é puramente pontual e não significa descontrole da inflação ou alta generalizada de preços". Ela lembrou que a alta dos alimentos já era esperada, por causa da entressafra, mas ainda assim não foi generaliza e os produtos não alimentícios tendem a ter os reajustes em menor ritmo a partir de agora, informou a jornalista Jacqueline Farid.O segundo índice divulgado foi o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que ficou em 1,05% em setembro. A expectativa do mercado era de um número entre 1% e 1,26%. Entre os índices que compõem o IGP-DI, a maior alta foi do Índice de Preços no Atacado (IPA), que registrou 1,29%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou alta de 0,76% e o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) fechou com alta de 0,22%. Ambos complementam a composição do IGP-DI.Juros definidos pelo cumprimento da meta A definição da Selic, a taxa básica de juros da economia, pela atual política monetária é dada pelo cumprimento da meta de inflação. Para este ano, a meta ajustada pelo Banco Central é de 8,5%. O IPCA, que é usado como referência para a meta, registra uma alta acumulada de 8,05%. O BC tem sido mais otimista em relação ao cumprimento da meta de inflação. O último relatório trimestral da instituição reduziu de 10,2% para 8,9% a projeção para a inflação neste ano, o que é bem próximo da meta ajustada de 8,5%. A nova projeção do BC considera juros constantes em 20% ao ano e taxa de câmbio de R$ 2,90.Em função dessa perspectiva, o BC tem sido mais agressivo na redução da Selic. Em junho, a taxa estava em 26% ao ano e foi reduzida para 24,5% em julho. No mês seguinte, em agosto, o corte foi de dois pontos porcentuais, para 22% ao ano. Em setembro, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) se repetiu e a Selic chegou a 20% ao ano. PerspectivasA ata da última reunião destaca que o BC pretende ser menos agressivo nas próximas decisões sobre a taxa Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se reunir nos dias 21 e 22 de outubro e as expectativas apontam para uma redução entre 1,5 e 2 pontos porcentuais. Segundo apurou a jornalista Jacqueline Farid, a expectativa do economista da PUC-RJ e membro do conselho do sistema de índices de preços do IBGE, Luiz Roberto Cunha, é de uma queda de 1,5 a 2 pontos porcentuais na Selic na reunião deste mês do Copom. O prognóstico é similar ao do economista do Ibmec Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, para quem o IPCA de setembro, cujo núcleo de exclusão (sem contabilizar alimentos e tarifas pontuais) apontou estabilidade de preços, veio para reforçar o processo de queda dos juros. "A alta do IPCA de setembro é cem por cento sazonal", disse Thadeu de Freitas. "A inflação não é problema a médio ou longo prazo", emendou Cunha.Veja mais informações sobre inflação e as expectativas do mercado financeiro nos links abaixo.

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