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Inflação em alta afeta mercados

Uma nova rodada de índices de inflação mais altos do que se previa trouxe de volta ao mercado a dúvida sobre a necessidade de uma nova elevação da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, atualmente em 21% ao ano. Por ora, o mercado não tem consenso sobre o assunto. Mas operadores e economistas já consideram a hipótese de que o Comitê de Política Monetária (Copom) não tenha outra saída se não elevar o juro. Na onda mais pessimista, dólar e juros subiram, e a Bolsa de Valores de São Paulo cai.Entre ontem e hoje, foram divulgados três índices, todos acima das previsões do mercado. O primeiro foi o IGP-M (primeira prévia de novembro), que ficou em 2,31%. O IPC da Fipe subiu para 1,55% (1ª quadrissemana de novembro) e o IPCA de outubro do IBGE ficou em 1,31%. Com o resultado de outubro, o IPCA - índice que baliza o regime de metas de inflação - passa a acumular no ano 6,98%, ameaçando metas de inflação e o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).Além dos índices, o noticiário está recheado de outros pontos negativos para inflação. Há dias, os jornais trazem reportagens falando sobre a queda-de-braço entre comércio e indústria por conta da tentativa dos fornecedores em reajustar seus preços - nem todos diretamente vinculados à alta do dólar, vale a pena frisar. Hoje, mais uma má notícia nesse campo: o reajuste de 8,63%, em média, dos preços dos medicamentos. Além disso, o risco de uma guerra entre EUA e Iraque já coloca os preços do petróleo sob pressão.Diante desse movimento de alta da inflação, o mercado discute qual será a atitude do Copom, pois seria necessário elevar os juros com força para segurar os preços e o dólar. Mas isso teria efeitos muito danosos sobre a atividade econômica. Outro ponto que os profissionais observam é que o dólar está hoje, de fato, bem abaixo do que estava no dia em que o Copom elevou a Selic de 18% para 21%. Naquele dia, o dólar fechou em R$ 3,91. Com as novas apreensões no mercado, o dólar voltou a subir, bem no momento em que o Banco Central (BC) fazia mais um leilão para rolar parte do vencimento de contratos cambiais com vencimento na quinta-feira. Ainda assim, foram negociados cerca de US$ 175 milhões, elevando o total já rolado para 58,5% do total de cerca de US$ 1,9 bilhões. De acordo com a taxa média de negócios de amanhã, serão corrigidos esses contratos. Ou seja, quanto mais papéis o BC resgatar, maior tende a ser a pressão de compra do dólar, com conseqüente alta nas cotações.MercadosÀs 15h, o dólar comercial era vendido a R$ 3,5900, em alta de 2,13% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 3,5180 e R$ 3,6000. Com esse resultado, o dólar acumula uma alta de 55,01% no ano e queda de 6,02% nos últimos 30 dias. Veja aqui a cotação do dólar dos últimos negócios.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 23,100% ao ano, frente a 22,680% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 27,900% ao ano, frente a 27,550% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em queda de 1,52% em 9735 pontos e volume de negócios de R$ 253 milhões. Com esse resultado, a Bolsa acumula uma baixa de 28,22% em 2002 e alta de 10,07% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, seis apresentam alta. O principal destaque são os papéis da Net PN (preferenciais, sem direito a voto), com valorização de 12,50%. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - operava em alta de 1,22% (a 8461,3 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - sobe 2,45% (a 1351,54 pontos). O euro era negociado a US$ 1,0107; uma alta de 0,04%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, estava em alta de 2,45% (448,64 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

12 de novembro de 2002 | 15h35

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