COFACE
COFACE

Inflação em alta desafia a boa fase do mercado de seguro de crédito

Rosana Passos de Pádua, presidente da seguradora Coface no Brasil, diz a taxa de juros precisa acompanhar minimamente a inflação

Entrevista com

Rosana Passos de Pádua

Filipe Serrano, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2021 | 05h00

Apesar dos prejuízos financeiros causados pela pandemia, o segmento de seguros para operações de crédito se saiu bem na crise. Em 2020, o valor dos prêmios subiu 47%, para R$ 540 milhões. Segundo Rosana Passos de Pádua, presidente da seguradora francesa Coface no Brasil – líder do segmento –, as empresas buscaram uma forma de mitigar os riscos. A expectativa agora é seguir em expansão. Para Rosana, os sinais são positivos, mas ela alerta que a alta da inflação pode prejudicar os negócios de clientes do serviço. “A taxa de juros precisa acompanhar minimamente a inflação”, diz a executiva, que assumiu a liderança da seguradora em março. 

Como o setor de seguro de crédito foi impactado pela pandemia?

Ao contrário do que se imaginava, no ano de 2020 o setor cresceu muito. Para se ter ideia, em 2019, o total de prêmios foi da ordem de R$ 370 milhões. Em 2020, o valor subiu para R$ 540 milhões. Houve um aumento significativo, de 47%. 

O que levou a esse crescimento?

Por um lado, aumentou o conhecimento das empresas sobre os benefícios do seguro de crédito. Por outro, no início da pandemia, as empresas buscaram formas de se proteger. Este ano os pedidos continuam crescendo. De janeiro a abril, o aumento é de 40% sobre o ano passado. Felizmente, o mercado se mostrou mais resiliente. 

O que levou a essa maior resiliência?

A inadimplência das empresas está mais baixa do que se esperava por causa de uma série de fatores. Um deles é o preço mais alto das commodities, o que contribuiu para a sustentação da economia. Outro é o auxílio emergencial, que estimulou o consumo. 

Quais são os desafios agora?

Temos alguns desafios pela frente. Estamos com um nível de inflação muito elevado. Já vivi todos os planos econômicos da economia brasileira desde os anos 80. Fazia muito tempo que não se via um IGP no nível de quase 50% ao ano. Mesmo o IPCA, que bateu 8%. É uma inflação forte. A taxa de juros precisa acompanhar minimamente a inflação, porque já estamos com taxas (reais) negativas há algum tempo. 

A inflação alta prejudica o setor de seguro de crédito?

Impacta o negócio dos nossos clientes mais fortemente. À medida que se tem taxas de juros maiores, inflação mais elevada, isso pode significar redução de negócios dos nossos clientes, o que acaba impactando diretamente os negócios. É algo que a gente precisa, de fato, ficar atento. 

Tudo o que sabemos sobre:
Cofaceinflaçãojurosseguro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.