Inflação em alta desafia bancos centrais em todo o mundo

A inflação subiu em maio nasprincipais economias da Ásia, Europa e América Latina,acompanhando o avanço rápido dos custos de energia e alimentose representando um complicado desafio para os bancos centraisque tentam conter a pressão inflacionária global. O crescimento acentuado dos preços das matérias-primas emmaio levou a inflação no atacado para o maior nível em 27 anosno Japão e para o maior patamar em quase quatro anos na China. O banco central da Índia elevou inesperadamente a taxabásica de juro em 0,25 ponto percentual, para 8 por cento aoano, em uma tentativa de controlar a inflação. Foi o primeiroaumento desde março de 2007. Em Paris, Christian Noyer, membro do Conselho Diretor doBCE, disse que os mercados financeiros tiraram as conclusõescertas dos comentários do presidente do BCE, Jean-ClaudeTrichet, sobre a possibilidade dos juros subirem já em julho. "Eu acho que o mercado entendeu bem o sinal que foi dadosobre a possibilidade de um aumento do juro no próximo mês --eeu digo possibilidade, não certeza, porque nós nunca noscomprometemos de forma incondicional", afirmou Noyer. Na semana passada, o BCE manteve o juro em 4 por cento. Alguns governos têm anunciado planos para tentar combater ainflação. No Kuwait, o governo apresentou uma proposta parareduzir a tributação de alimentos importados e aumentar ossubsídios. Na Malásia, o primeiro-ministro descartou novosaumentos dos combustíveis neste ano. Em uma nova evidência de pressões inflacionárias na zona doeuro, a Espanha anunciou que a inflação ao consumidor em termosanuais saltou para o maior nível em 13 anos, 4,6 por cento emmaio. Na França, a inflação harmonizada com a zona do eurosubiu para 3,7 por cento, maior taxa desde o início da sériehistória, em 1997. "A inflação vai continuar alta nos próximos meses, aindanão atingimos o pico", disse Olivier Gasnier, economista doSociété Générale, sobre os dados franceses. A alta das matéria-primas mudou nas últimas semanas o focodos bancos centrais. Se antes o assunto era o crescimentoeconômico, agora é a ameaça de uma alta global da inflação. A maior necessidade de enfrentar a inflação foi destacadanesta semana pelo chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke,que disse que a missão do Fed é controlar as expectativas deinflação ao consumidor. "A última rodada de aumentos nos preços de energia aumentouo risco para o cenário de inflação e as expectativas deinflação", disse. EXPECTATIVA SOBRE BCE Apesar do aumento dos preços, Noyer e seu colega no BCEJuergen Stark derrubaram a expectativa do mercado por uma sériede altas do juro. Noyer, que chefia o Banco da França, disseque a especulação sobre o comportamento do BCE é prematura. O aumento no custo de vida também é tema no Brasil, onde ospreços ao consumidor subiram em maio à maior taxa em mais detrês anos. O resultado consolidou as expectativas de que oBanco Central tenha que subir mais os juros. (Reportagem adicional de Estelle Shirbon em Paris, AndrewHay em Madri, Yuzo Saeki em Tóquio e Simon Rabinovitch e EadierChen em Pequim)

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