Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Inflação baixa reforça aposta em corte no juro

Inflação oficial de abril ficou em 0,22%, no piso das estimativas dos analistas; no quadrimestre, índice acumulado é o menor desde 1994

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2018 | 09h01

RIO - Como já esperado, o reajuste no preço dos medicamentos pesou na inflação de abril, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que avançou 0,22%, ante 0,09% em março, informou nesta quinta-feira, 10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador veio no piso das estimativas de analistas do mercado financeiro, e, com isso, mesmo com a alta recente do dólar, os analistas reforçaram as apostas de que o Banco Central (BC) cortará mesmo os juros mais uma vez em reunião na próxima semana.

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Para a maioria dos economistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, embora o câmbio possa elevar um pouco a inflação neste ano, a demanda fraca e a permanência do alívio no preço dos alimentos mantêm o cenário comportado. Tanto que a inflação acumulada nos quatro primeiros meses do ano (0,92%) foi a menor desde a implantação do Plano Real.

“A inflação corrente e as perspectivas para o médio prazo estão muito baixas. Tudo o que aconteceu mais recentemente no câmbio não está pegando na inflação, pode ser que pegue mais à frente”, disse o economista Fábio Ramos, do UBS Brasil.

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O gerente de Índice de Preços ao Consumidor do IBGE, Fernando Gonçalves, frisou que o dólar não afetou o IPCA de abril. O risco, para os próximos meses, está no preço dos combustíveis e de produtos eletrônicos. No caso dos combustíveis também pesa a alta da cotação do petróleo, já que, desde 2016, a política de preços da Petrobrás busca o alinhamento com a prática internacional. 

Só que o repasse dos reajustes dos combustíveis nas refinarias para os postos de gasolina pode estar mais demorado, por causa da demanda fraca. “O varejo não tem acompanhado os reajustes nas refinarias no curto prazo”, disse Salomão Quadros, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). No IPCA de abril, a gasolina subiu 0,26%, alta compensada pelo etanol, que ficou 2,73% mais barato.

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O economista João Fernandes, da gestora Quantitas Asset, manteve a projeção para o IPCA de 2018 em 3,60%, enquanto Daniel Weeks, economista-chefe da gestora Garde Asset, elevou a estimativa de 3,40% para 3,70%, por causa do dólar. Mesmo assim, para Weeks, há espaço na inflação para mais um corte 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros (a Selic, hoje em 6,50% ao ano). 

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Pressão. Para o economista Bernard Gonin, da Rio Gestão de Recursos, o IPCA de abril “veio abaixo do esperado e com um mix positivo”, pois o índice de difusão (a quantidade de produtos e serviços cujos preços subiram) ficou baixo. “Mais uma vez, os preços administrados pressionaram o IPCA, com energia elétrica, planos de saúde e produtos farmacêuticos.”

A conta de luz ficou 0,99% mais cara, os remédios, 1,52%, enquanto os planos de saúde encareceram 1,06%. Os preços do grupo Saúde e Cuidados Pessoais responderam por metade da alta do IPCA de abril.

Uma surpresa no mês foi a deflação no subgrupo “alimentação fora do domicílio”, cujos preços recuaram 0,22%, levando o grupo Alimentação e Bebidas a registrar alta de apenas 0,09%. Segundo o IBGE, foi a primeira deflação mensal da alimentação fora de casa desde outubro de 2005, quando houve baixa de 0,06%. Provavelmente, bares e restaurantes fizeram ofertas ou realinharam seus preços “para não perder clientes”, disse Gonçalves, do IBGE. / COLABORARAM THAÍS BARCELLOS E MARIA REGINA SILVA

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