Inflação em queda torna a poupança atraente

Rendimento do investimento possibilitou um ganho acumulado em 2016 de 8,30%, taxa superior à da inflação de 6,29%

O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2017 | 03h00

Com o desemprego em níveis muito elevados e a redução da renda das famílias, aliados ao baixo rendimento da aplicação, as cadernetas de poupança fecharam 2016 com um saldo de R$ 40,7 bilhões a menos do que no final do ano anterior, tendo os saques alcançado R$ 1,99 trilhão, enquanto os depósitos, incluída a remuneração, foram de R$ 1,95 trilhão.

O resultado só não foi pior porque, em dezembro, houve uma captação líquida de R$ 10,66 bilhões, graças sobretudo ao pagamento do 13.º salário. De qualquer forma, a queda do saldo em 2016 foi inferior à verificada no ano anterior, quando chegou a R$ 53,56 bilhões.

Não é possível prever como será o comportamento em 2017. A esperada desaceleração da inflação pode ser um fator decisivo para as cadernetas. Em termos anuais, o que se verifica é que o rendimento da poupança (0,5% ao mês mais Taxa Referencial, TR) possibilitou um ganho acumulado em 2016 de 8,30%, taxa superior à da inflação de 6,29% no período.

Por meses a fio, o rendimento da poupança vinha sendo inferior à inflação, o que estimulava os saques. Com a tendência de baixa da inflação, o quadro muda e é provável que muitos pequenos aplicadores prefiram deixar suas economias nas cadernetas, considerando também que elas estão isentas do Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos.

Há diversas aplicações muito mais rentáveis no mercado financeiro. As ações, por exemplo, na média, renderam bem mais que as cadernetas no ano passado. Contudo, milhares de pessoas físicas continuam fiéis às cadernetas, utilizando-as praticamente como conta corrente, e esse número pode crescer, em razão da facilidade de saques. Além disso, muitas empresas costumam depositar os salários de seus funcionários em contas de poupança.

Assim, é possível que o saldo negativo das cadernetas, se houver, poderá ser menor no fim deste ano. Essa possibilidade é animadora não só para os poupadores, como para a construção civil, uma vez que 65% do saldo total da poupança pode ser direcionado para financiamentos imobiliários pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

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