Inflação em SP tem ligeira desaceleração

IPC-Fipe encerrou a 2.ª quadrissemana de junho em 1,26%, índice 0,04 ponto porcentual menor que o anterior

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2008 | 00h00

Após 14 altas seguidas, a inflação ao consumidor na cidade de São Paulo teve um pequeno alívio na segunda quadrissemana de junho. Mas ainda é insuficiente para mudar o cenário no curto prazo, especialmente por causa da aceleração dos preços de alimentos básicos, como carne bovina e feijão.O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) encerrou a segunda quadrissemana de junho com alta de 1,26%, resultado 0,04 ponto porcentual menor que o da primeira quadrissemana (1,30%) deste mês, mas superior ao do fim de maio (1,23%).A desaceleração, causada pelo recuo dos preços da habitação, do vestuário e da alimentação - em razão da perda de fôlego dos produtos in natura -, fez o coordenador do IPC-Fipe, Márcio Nakane, reduzir de 1,03% para 0,98% a projeção para o IPC-Fipe deste mês. Mas mantém a expectativa de alta de 5,93% no ano.Para o segundo semestre, o quadro não é tão promissor. É que há itens importantes da alimentação que já estão com preços acelerados no índice ponta-a-ponta. Isso significa que esses preços vão pressionar o índice quadrissemanal, em breve.Entre os novos vilões estão feijão, carnes bovinas e leites. O feijão vai voltar a pressionar a inflação, prevê Nakane. Na segunda quadrissemana, o preço do feijão subiu 6,55%, mas no índice ponta-a-ponta a alta é de 23,86%. Na primeira semana deste mês, o produto na ponta tinha subido 9,63%. "Houve frustração de safra de feijão e a expectativa é de que as próximas safras não sejam tão boas, em razão da migração dos produtores para o milho."Ele destaca também a aceleração de preços das carnes bovinas, que subiram 8% na segunda quadrissemana do mês, ante 6,3% na primeira. Na ponta, as carnes bovinas tiveram alta de 10,82% na segunda quadrissemana, apesar da entressafra, período de menor produção, nem ter começado. Em relação aos leites, que subiram 3,25% no índice quadrissemanal, na ponta a aceleração foi de 2,60% para 2,96%, da primeira para a segunda quadrissemana."A alimentação, com destaque para feijão e carnes bovinas, será problema para o segundo semestre", prevê Nakane, já que o arroz, apesar de ter sido o campeão de alta na segunda quadrissemana, com 17,60%, já estar desacelerando.Se a alimentação fechar junho com alta de 3%, como prevê Nakane, ela terá subido 8% no primeiro semestre. "A inflação dos alimentos do segundo semestre será mais tranqüila comparativamente ao primeiro semestre, mas isso não significa que será alvissareira."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.