Inflação está se tornando resistente, diz professor

Ainda que não seja crônica, a inflação está se tornando mais resistente, o que acaba limitando a eficácia dos instrumentos de atuação do governo na alta dos preços, disse o economista e professor da PUC-RJ Luiz Roberto Cunha. Apesar da resistência da inflação, não há ainda um processo de indexação de preços. "Se fosse assim, as projeções para este ano subiriam de 12% para 20% ou 25%", disse.Ele afirmou que a alta dos juros para 26,5%, promovida ontem pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), não será suficiente para garantir a meta de inflação de 8,5% este ano, por causa das incertezas externas com a iminência da guerra entre EUA e Iraque. "É difícil prever qualquer quadro a não ser em diferentes cenários", disse.O professor afirmou que se não fossem as sucessivas altas do juro nos últimos meses, a inflação estaria mais elevada. Segundo ele, as expectativas de que no início de 2003 haveria uma maior desaceleração do aumento de preços não se confirmaram porque variáveis para as quais se esperava melhora seguiram deterioradas, como o câmbio. Aliado a isso, acentuaram-se as incertezas externas e houve recomposição de margens de lucros.Ele desaconselhou a promoção de um choque de juros pelo Copom. "Seria um erro. Teria um efeito desastroso para a economia e para a dívida. A solução é atuar com uma política monetária restritiva, mas mantendo as expectativas de reformas, esforço fiscal", afirmou. Segundo ele, com esta solução, seria possível detectar recuo nos índices de inflação já no terceiro trimestre.Ao comentar o IGP-M de 1,73% na segunda prévia de fevereiro anunciada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Cunha afirmou que a alta prolongada do dólar deve continuar pressionando os preços ao consumidor, mas que estes não obrigatoriamente serão contaminados pela elevação dos preços no atacado.Além da questão do câmbio, outra preocupação manifestada pelo professor e que deve pesar contra a inflação são os reajustes salariais. "As projeções apontam para um INPC acumulado em 18% entre fevereiro e outubro", disse. Ele não considerou excesso de otimismo a fixação da meta ajustada em 8,5%. "O governo tem de ser otimista e ao mesmo tempo o mais realista possível, mostrando capacidade de que é possível atingir este número. Mesmo que a meta estoure, se houver crescimento econômico o resultado já é muito bom." Veja abaixo mais opiniões sobre a decisão de ontem do Copom:Analistas dos EUA elogiam Copom, mas prevêem mais aperto Para Palocci, alta de juros não afetará crescimento Mercado reage mal a aumento do compulsório Impacto do novo compulsório será de R$ 8 bi, diz BC CNI prevê impacto recessivo com medidas do Copom Indústria crescerá menos com juro maior, diz Abinee Fitch aprova Selic, mas mostra preocupação com o PIB BC mostra responsabilidade com a inflação, diz BM&F Para Fiesp, crescimento está sob severa ameaça Compulsório é saída para evitar juros, diz economista Aumento da Selic traz desesperança, diz Força Sindical Alta da Selic é "remédio amargo", diz Federação do Comércio Juros ao consumidor devem ter reajuste imediato Aumento do compulsório tira R$ 9,7 bi do mercado, diz consultoria Selic em alta: momento é de cautela para o investidor

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