Inflação evidencia reajustes mais generalizados, diz IBGE

A gerente do sistema de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, disse que os dados do IPCA de junho "evidenciam aumentos mais generalizados, pelo menos em transportes e alimentos, dois grupos importantes do ponto de vista das despesas das famílias". Segundo Eulina, esse espalhamento dos reajustes está mais claro nos resultados de junho do que em maio porque 70% do IPCA esteve concentrado em transportes e alimentos, mas esses dois grupos incluem um número grande de itens e muitos deles registraram altas de preços. Apesar do espalhamento, ela disse que "os dados não revelam o início de um novo ciclo de alta" da inflação porque alguns dos impactos mais importantes em junho - gasolina e alimentos - tendem a exercer menor pressão sobre a taxa nos próximos meses. Em julho haverá impacto de tarifasO IPCA de julho sofrerá impacto de quatro itens importantes para as despesas das famílias, segundo destacou a gerente do Sistema de Índices de Preços do IBGE. Embora não faça previsões para a taxa do mês, Eulina listou que haverá pressão dos reajustes de energia elétrica em São Paulo (19,36% no início de julho) e em Curitiba (8,5% a partir do final de junho). Além disso, a inflação do mês terá impactos dos reajustes do telefone fixo, a continuidade da pressão da gasolina - cujo aumento de 10,8% nas distribuidoras em 15 de junho só foi em parte absorvido no IPCA de junho - e, ainda, dos planos de saúde, cujos reajustes estão em fase final de discussão e têm "peso forte" na taxa. No acumulado, peso maior é de educação A principal contribuição para o IPCA acumulado de 3,48% no primeiro semestre deste ano foi dada pelos colégios, cujos reajustes somaram 10,12%, com participação de 0,39 ponto porcentual no total da taxa. As demais contribuições de alta foram, nessa ordem, dadas por: remédios (6,59% e 0,26 pp); automóvel novo (8,76% e 0,25 pp); energia elétrica (4,90% e 0,22 pp); automóveis usados (7,98% e 0,17 pp); planos de saúde (4,58% e 0,11 pp); taxa de água e esgoto (5,78% e 0,10 pp) e gás de cozinha (6,10% e 0,10 pp). Segundo Eulina, as principais contribuições para conter o IPCA no período foram dadas pelo açúcar refinado (queda de -20,53% no semestre) e álcool combustível (queda de -5,6% no período) - ambos os produtos beneficiadas pela boa safra de cana-de-açúcar - e, ainda, pela gasolina (1,42%) e pelos alimentos (2,09%) que, apesar de variações positivas, apresentaram aumentos abaixo da média do IPCA no semestre.

Agencia Estado,

09 de julho de 2004 | 12h55

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