Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Inflação baixa de 2017 consolida novo corte da Selic, dizem analistas

Alguns economistas, no entanto, dizem que aceleração registrada em dezembro pode apontar que ciclo que queda da Selic está próximo do fim; IPCA divulgado nesta quarta aponta que a inflação no País é a menor em 20 anos

Altamiro Silva Junior, Maria Regina Silva e Thais Barcellos, Broadcast

10 de janeiro de 2018 | 14h24

A inflação brasileira alcançou em 2017 o menor nível em 20 anos. Economistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast comemoraram o número e descartam abalo na credibilidade do Banco Central pelo fato de o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter ficado abaixo do piso da meta da inflação, fato que obriga a instituição a escrever uma carta ao ministério da Fazenda explicando o descumprimento da meta. Os dados divulgados nesta quarta-feira, 10, também serviram para consolidar entre os analistas a visão de que a Selic, a taxa de juros básica da economia, devem ser cortados em mais 0,25 ponto porcentual na reunião do dia 6 de fevereiro de política monetária.

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Para alguns economistas, a aceleração do IPCA para 0,44% em dezembro (de 0,28% em novembro) - que ficou fora do intervalo das estimativas da pesquisa do Projeções Broadcast (de 0,28% a 0,38%, com mediana de 0,30%) - pode impossibilitar a taxa Selic de cair para 6,5% este ano. A visão é que o número sinaliza que o ciclo de corte de juros no Brasil está bem perto do fim. O economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, destaca que a inflação de dezembro reduz a chance de um corte de 0,50 ponto básico na Selic em fevereiro e também diminui a possibilidade de corte adicional em março.

"Foi um resultado extraordinário, abaixo de 3%, até curiosa a situação de que Banco Central vai ter de escrever uma carta para explicar porque ficou tão melhor", disse o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Ele argumenta que o descumprimento da meta não compromete a credibilidade do BC, e é até bastante positivo. "É assimétrico, quando é para cima é ruim, quando é para baixo é bastante positivo. Não altera nada. Esse número mais suave é que está na base da comunicação do Banco Central, sugerindo mais uma ou duas rodadas de redução da Selic", avalia. A MB Associados é mais otimista e aposta que a taxa de juros básica irá cair para 6,50%.

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Apesar de ter ficado abaixo do piso da meta em 2017, a avaliação dos analistas é que este fenômeno não deve se repetir em 2018. "A tendência é de que Alimentação se mantenha em território positivo e leve a inflação de volta para o plano de tolerância do Banco Central", afirma o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno. Em dezembro, o grupo "Alimentos e Bebidas" interrompeu uma sequência de sete meses de queda, subindo 0,54%. Mas a despeito do avanço do IPCA acima do esperado no último mês de 2017, o cenário para a inflação no Brasil continua favorável, ressalta ele.

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"O dado (de dezembro) foi muito ruim em relação ao ano de 2017, mas, em termos históricos, a inflação ainda está baixa, o que ainda permite que o BC dê estímulos monetários", avalia o economista da Quantitas Asset, João Fernandes. Contudo, ele afirma que esse dado pior reduz a probabilidade de que a Selic caia a 6,50% em março. "Esse dado reforça nosso cenário de que o ciclo de queda dos juros termina em fevereiro, com a Selic em 6,75%, taxa em que deve continuar até o final de 2018."

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Para 2018, o UBS Brasil projeta que o IPCA deve ficar em 4%, seguindo abaixo do centro da meta do BC, de 4,5%. Para os economistas do banco, Tony Volpon e Fábio Ramos, a aceleração da inflação este ano deve se dar de forma "moderada", influenciada pela recuperação da atividade econômica e normalização nos preços dos alimentos. Eles projetam que o BC deve fazer apenas mais um corte na Selic, em fevereiro, com o juro terminando o atual ciclo de reduções em 6,75%.

A consultoria internacional Capital Economics também prevê que o corte de juro na reunião de fevereiro deve ser o último. "A inflação está claramente navegando para cima, o que quer dizer que este provavelmente será o último movimento no atual ciclo de relaxamento monetário", escreve o economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, Neil Shearing, em relatório nesta quarta-feira. Ele prevê que os preços dos alimentos vão seguir em recuperação este ano, contribuindo para a aceleração da inflação.

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